Como ajudar o filho adotado a entender a adoção

A adoção: como os pais podem ajudar aos filhos adotados a entendê-la

Vilma Medina Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Mais cedo ou mais tarde os pais adotivos terão que falar e explicar ao seu filho o que é a adoção. Antes de querer que a criança se entenda e se aceite como um filho adotado, melhor é explicar através de contos o que é a adoção. É muito importante que os pais tenham muito claro o conceito de adoção. Adotar um filho, ainda que muita gente compreenda de outra forma, é uma forma a mais de ter um filho. Não é nem deve ser um ato de solidariedade.

Se o que o casal quer é ter um filho, deve assumir isso como verdade, já que dependerá da sua atitude que a criança compreenda a adoção.

Se a criança é somente um objeto de solidariedade, isso não ajudará em nada reconhecer para si mesma que tem um papai ou uma mamãe.

A partir do momento que os pais reconheçam e vivam a adoção como algo real, será muito mais fácil para a criança adotada se ver como tal.

Como entender a adoção infantil

A verdade deve ir sempre à frente de qualquer situação. Na adoção isso não é diferente. Do mesmo modo que um filho biológico desejará saber em algum momento da vida como nasceu, o filho adotado também tem o mesmo direito. A página br.guiainfantil.com oferece alguns conselhos para ajudar a criança adotada a entender a adoção. 

1. Para poder ajudar seu filho, primeiro tem que estar tudo muito claro e certo entre o casal e o tema de adoção. Adotar é somente outra maneira para se ter um filho.

2. Compartilhe a história pessoal dos seus filhos com eles. Inclua detalhes sobre o dia do seu nascimento (se tiver conhecimento), quanto pesavam e mediam ao nascer, como era seu aspecto, etc. Dependendo da idade do menino (ou da menina), pode-se dar informação sobre seus antecedentes genéticos e o lugar onde nasceu. É importante que se fale da mãe biológica de uma forma neutra. Jamais julgá-la nem dar uma má imagem dela.

3. Valorize a história genética, a etnia, e as relações anteriores do seu filho adotivo.

4. Reafirme permanentemente o seu lugar na família. Isso ajudará a tranquilizar possíveis temores e medos. Todos os filhos, independentemente de que sejam biológicos ou adotados, devem se sentir integrados à família. Isso manterá sua autoestima em bom estado.

5. Ajude-o a expressar e compartilhar seus sentimentos, dúvidas e inquietações. Entre pais e filhos deve ser construído um laço de confiança. Crianças seguras são crianças mais felizes.

6. Ajude-o a externar sua responsabilidade pelas decisões que seus pais tomaram. Quaisquer que sejam as razões para a sua adoção, seu filho precisa estar seguro de que as coisas não aconteceram por culpa dele. A pesquisadora Miriam Komar fez uma lista de respostas dadas a perguntas feitas por crianças adotadas em cinco estilos de comunicação:

Estilos de comunicação com o filho adotado

1. Racional. Está baseada na realidade externa da criança: outras pessoas e suas atitudes, objetos e processos, história passada e expectativas futuras, etc. Não se trata de uma atitude ambígua nem apresenta informações falsas. Estimula a criança a pensar nas ambiguidades da vida e deixa claro o conceito de opções que o pai apresenta ao filho, ao mesmo tempo em que lhe passa um sentimento de posse. O que acontece é que a resposta é fria e não chega ao consolo que a criança necessita.

2. Reflexiva. O pai dá ao filho uma resposta que reflete os sentimentos contidos na pergunta, dando o devido respeito aos questionamentos da criança. Isso a anima a fazer perguntas com liberdade. É uma resposta verdadeira, mas se usada muito concisamente, não proporciona informação suficiente ao filho.

3. Criança escolhida. Coloca em destaque a noção de que o filho adotado é muito querido especialmente porque foi escolhido pelos seus pais. Isso poderá impor uma carga sobre a criança, já que se foi escolhida porque era tão maravilhosa, agora terá que continuar sendo especial. A criança se preocupará que se não for tão maravilhosa como seus pais acreditam, seus pais se arrependerão em tê-la escolhido e a levarão de volta ao lugar de onde veio. A intenção é dar autoestima ao filho e lembrá-lo do imenso amor oferecido pela família adotiva. Essa resposta ajuda quando a criança busca consolo, mas não quando pede informação. Também supervaloriza a dependência do filho no amor dos seus pais como resposta a um problema e diminui a habilidade do filho para pensar as coisas de maneira autônoma.

4. Glorificante. Idealiza o filho adotado, os pais biológicos e seu passado biológico. Dá muita ênfase à excelência dos pais biológicos e sua herança genética. Os pais que usam esse estilo de resposta geralmente entendem a pergunta como uma busca de autoestima do filho. Algumas das respostas dadas podem ser corretas, mas o pai adotivo não as conhece com exatidão, e desse modo frustra o anelo do filho em conhecer sua realidade. Esse estilo é mais bem aplicado em crianças pequenas, que precisam ter conhecimento que seus pais biológicos e sua herança genética são positivos.

5. Autoritário. Era considerado como o modo próprio de falar com uma criança: o pai fala e o filho escuta.