Morte súbita dos bebês

Vilma Medina Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Os riscos da morte súbita. A morte súbita do lactante é a primeira causa de morte nos países ocidentais em crianças entre um e doze meses. Isso se converteu num verdadeiro pesadelo que atormenta a muitos pais. Segundo as últimas estatísticas, na Europa morrem por ano 5 mil lactantes, vítimas da síndrome da morte súbita. Na Espanha, morrem em média 100 bebês por ano, o que se traduz em que a síndrome afeta um em cada mil bebês. Enquanto a mortalidade infantil tem diminuido substancialmente nos países desenvolvidos, a síndrome tem aumentado em importância.

O que é a morte súbita?

A Síndrome da Morte Súbita do Lactante (SMSL) se define clinicamente como a “morte repentina e inesperada de um lactante aparentemente sadio”. No Brasil também é chamada de “morte do berço” e representa a causa de morte mais importante em lactantes com idade inferior a um ano, excluindo o período neonatal.

Quais são suas causas?

Apesar das pesquisas realizadas nos últimos 20 anos, ainda não se tem respostas claras sobre isso. Hoje em dia se pode reduzir os riscos, mas ainda se desconhece os mecanismos que levam à morte. É uma das doenças mais desconhecidas nos nossos dias. Considera-se a Síndrome como um processo causado por diversos fatores, incidindo em um lactante aparentemente sadio, que altera sua respiração e conduz a sua morte inesperada enquanto dorme.

Um estudo da Universidade de Bristol, na Grã-Bretanha, concluiu que nove em cada dez mães que perderam seus bebês para a chamada síndrome da morte súbita infantil (SMSI) ou "morte do berço" eram fumantes.

Os cientistas descobriram que a proporção de bebês que morreram da síndrome e eram filhos de mulheres fumantes aumentou de 57% para 86% nos últimos 15 anos na Grã-Bretanha.

Que lactantes tem mais risco de sofrer a síndrome da morte súbita?

Deve-se prestar atenção a três grupos de lactantes:

- Prematuros – que apresentam apnéias ou pausas prolongadas sem respirar, e a outros com displasia bronco pulmonar.

- Lactantes que apresentam uma apnéia de causa desconhecida ou um episódio aparentemente letal (sensação de falta de respiração, mudanças na cor, pele avermelhada ou pálida, perda de tônus muscular ou força...).

- Irmãos posteriores ou gêmeos de uma vítima da síndrome.

Existe alguma recomendação médica de como ajudar a evitar a morte súbita?

Segundo algumas pesquisas, é recomendável que os pais sigam algumas recomendações que estão protegendo as crianças da síndrome:

1- Posição de boca para cima para dormir.
- As crianças sadias devem dormir em posição de boca para cima. Deve-se retirar as almofadas e colchas grossas do lugar em que ele dorme, já que poderiam afogar o lactante.
- Crianças com refluxo gastro-esofágico patológico devem dormir de lado ou de boca para baixo. A posição de lado é a mais adotada nos países da América Latina, incluindo o Brasil.

2- A criança deve estar em uma atmosfera livre da fumaça dos cigarros,antes do nascimento e logo do mesmo.
- Se a mãe fuma durante a gravidez e durante o primeiro ano de vida do bebê, o risco da síndrome aumenta 4,09 vezes.
- Se ambos os pais fumam, o risco aumenta em 2,41 vezes mais.

3- A cabeça do bebê não deve ficar coberta com roupa de cama enquanto dorme.
- Os estudos demonstram que entre 16 e 22% das crianças vítimas da morte súbita tem sua cabeça coberta por roupa de cama.
- É conveniente que os pais do bebê fixem bem os lençóis e roupas de cama, pois dessa maneira o bebê tem menos possibilidade do bebê deslocar-se para baixo da roupa de cama.

Assistência aos pais

A morte súbita e inesperada de um bebê produz enorme dor aos pais e seus familiares. Quando um bebê morre por causa desconhecida, como é o caso da síndrome, essa dor é acompanhada da pergunta: “Por que meu filho morreu? Por outro lado, esses pais devem ser acompanhados por tratamento psicológico para tentar minimizar a perda de um filho e evitar assim, o estresse derivado da situação.

É importante incentivar a criação de associações para acompanhar os pais como também difundir as campanhas de prevenção da Síndrome da morte súbita em lactantes.