A morte e a dor das crianças

Vilma Medina Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

As crianças manifestam o estado de dor de uma forma diferente dos adultos. Elas não falam sobre o que lhes confundem ou lhes preocupam em relação à morte, mas deixam claro através dos comportamentos diferentes aos habituais, que em muitas ocasiões manifestam ansiedade. Assimilar que já não voltarão a ver ou falar com alguém importante para elas na sua vida porque morreu é um duro golpe que se escapa da lógica infantil. 

A perda de um ser querido para as crianças

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Conviver com a ausência é difícil para as crianças, sobretudo se pensarmos que elas vivem fundamentalmente o presente. Por isso, é importante para os pais assumirem que não podemos enganá-las nem disfarçar a realidade. A morte faz parte da vida, e assim devemos fazê-las compreender, ainda que com tato e de maneira menos dolorosa possível. Se optarmos em deixá-las viver em uma bolha, alheias à dor e à adversidade, não estaremos ajudando aos nossos filhos construírem uma personalidade forte e valente

O ambiente de tristeza que se vive em casa após a morte de um ser querido pode ocasionar uma grande confusão na criança quando não tenha explicado a ela a verdade sobre a morte. As crianças podem especular com alguma desgraça sobre elas ou sobre o meio em que está vivendo, e inclusive é possível que entendam que queiramos abandoná-las ou que já não gostamos delas. Antes de chegar a esse ponto é mais recomendável dizer-lhes a verdade sobre a morte de maneira natural, fazendo-lhes entender que é algo pontual, que faz parte da vida e que isso não acontece todos os dias. 

As respostas positivas por parte dos pais ajudam as crianças a enfrentarem sua dor, uma fase que todos teremos que passar para superar a perda de um ser querido. A compreensão da morte por parte das crianças é dolorosa no início, mas reconforta em longo prazo, já que quando se disfarçam, as crianças se sentem mais desoladas e decepcionadas ao conhecer a verdade. 

No entanto, quando a perda corresponde a figuras tão importantes para a criança como o pai ou a mãe, devemos assumir que a criança estará triste ou deprimida durante muito tempo, e que necessitará de apoio psicológico constante. Os especialistas asseguram que retirar fotos ou recordações das pessoas falecidas é contraproducente, e o que realmente ajuda é o contato físico e o diálogo. Com essas armas a criança poderá desabafar e eliminar tensões. 

Marisol Nuevo