Convulsões em crianças e bebês

Quando se pode afirmar que uma criança apresenta convulsões

Vilma Medina Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

As convulsões são um transtorno neurológico súbito e transitório que aparece relacionado com a febre. Pode acontecer em crianças de 6 meses a 5 anos de idade, com mais frequência nas crianças de 2 anos. De 3 a 5 crianças, de cada 100, já sofreram convulsões.

A convulsão febril TÍPICA, é uma epilepsia que deve se curar sozinha com o tempo e antes dos 5 anos, e que, portanto, deve ser benigna. Uma convulsão ATÍPICA pode ser benigna (comprovada através de estudos) ou ser uma verdadeira epilepsia.

Como se manifestam as convulsões

convulsões nas crianças e bebês

As convulsões se manifestam por:

- perda da memória;

- movimentos dos olhos, virados para cima;

- dentes cerrados e tensos;

- saída de espuma pela boca;

- contrações musculares que se caracterizam por estouros rítmicos enérgicos de contrações musculares que não podem dominar-se voluntariamente. Os músculos do corpo se contraem devido a uma anormalidade temporal na função cerebral.

Causas das convulsões em crianças e bebês

Nos bebês, a mais comum é o aumento da temperatura que acompanha uma infecção viral. Não se descartam os transtornos metabólicos de glicose (diminuição), cálcio, magnésio ou sódio, diminuição da oxigenação cerebral, infecções, hemorragias ou tumores do sistema nervoso, e intoxicações. Além da febre, existe uma predisposição individual.

Crianças com maior tendência a ter convulsões na presença de febre, herdam dos seus pais. Este antecedente se encontra em 30% dos casos. A febre por infecções do tipo catarral é a que produz mais convulsões.

Tratamento das convulsões nas crianças e bebês

A primeira coisa, é baixar a febre da criança. Terá que desnudá-la e passar uma esponja macia, embebida de água morna (não gelada) pelo seu corpo. Não convém imobilizá-la nem colocar nada entre os dentes. Deve-se abrir um espaço ao seu redor para que não faça mal a si mesma. E manter a tranquilidade. Quando passar a convulsão, que não deve durar mais de 10 a 15 minutos, leve rapidamente a criança ao pronto socorro mais perto para administração correta de medicamentos.

A crise convulsiva costuma ser um momento muito estressante. A primeira coisa que deve se ter em mente é que a maioria das crises dura menos que 5 minutos e que a mortalidade durante a crise é baixa. Assim, deve-se manter a calma para que se possa, efetivamente, ajudar a pessoa. Medidas protetoras que devem ser tomadas no momento da crise:

• Deitar a pessoa (caso ela esteja de pé ou sentada), evitando quedas e traumas;
• Remover objetos (tanto da pessoa quanto do chão), para evitar traumas;
• Afrouxar roupas apertadas;
• Proteger a cabeça da pessoa com a mão, roupa, travesseiro;
• Lateralizar a cabeça para que a saliva escorra (evitando aspiração);
• Limpar as secreções salivares, com um pano ou papel, para facilitar a respiração;
• Observar se a pessoa consegue respirar;
• Afastar os curiosos, dando espaço para a pessoa;
• Reduzir estimulação sensorial (diminuir luz, evitar barulho);
• Permitir que a pessoa descanse ou até mesmo durma após a crise;
• Procurar assistência médica.
Se possível, após tomar as medidas acima, devem-se anotar os acontecimentos relacionados com a crise. Deve-se registrar:
• Início da crise;
• Duração da crise;
• Eventos significativos anteriores à crise;
• Se há incontinência urinária ou fecal (eliminação de fezes ou urina nas roupas);
• Como são as contrações musculares;
• Forma de término da crise;
• Nível de consciência após a crise.

O que não se deve fazer durante as convulsões

Várias medidas erradas são comumente realizadas no socorro de uma criança com crise convulsiva. O QUE NÃO DEVE SER FEITO:

• NÃO se deve imobilizar os membros (braços e pernas), deve-se deixá-los livres;
• NÃO tentar balançar a pessoa Isso evita a falta de ar.
• NÃO coloque os dedos dentro da boca da pessoa, involuntariamente ela pode feri-lo.
• NÃO dar banhos nem usar compressas com álcool caso haja febre pois há risco de afogamento ou lesão ocular pelo álcool;
• NÃO medique, mesmo que tenha os medicamentos, na hora da crise, pela boca. Os reflexos não estão totalmente recuperados, e pode-se afogar ao engolir o comprimido e a água;
• Se a convulsão for provocada por acidente ou atropelamento, não retire a pessoa do local, atenda-a e aguarde a chegada do socorro médico.