Crianças ricas e famosas

Até que ponto a riqueza e a fama são saudáveis para uma criança?

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

O desejo de tornar-se rico e famoso seja para reconhecimento próprio e dos pais, ou uma alternativa econômica e de trabalho, tem sido o desejo de muitas famílias, e isso tem gerado uma crescente procura de pais por escolas de teatro, interpretação e coisas do gênero, e a inscrição em concursos e testes para papéis na televisão, teatro, publicidade e programas musicais, tem aumentado consideravelmente.

 A lista das 10 crianças atuantes mais ricos de Hollywood, publicada na revista americana Forbes, deixa-nos de cabelo em pé. Os ganhos de Daniel Radcliffe, que desde os 12 anos vem representando o bruxo Harry Potter, cresceu assustadoramente. Em 2006 ele chegou a ter 13 milhões de dólares em sua conta.

Crianças ricas e famosas

Abigail Breslin, que concorreu ao Oscar pelo seu papel em “Pequena Miss Sunshine”, um filme interessante que critica os concursos de miss infantis, transformando crianças em bonecas artificiais, e mostrando que torna-se um sonho mais das mães do que das vítimas infantis. A pequena e talentosa atriz ganhou 1,5 milhão de dólares, isso quando tinha apenas 10 anos de idade.

Mas fama e reconhecimento quando muito pequenos é prejudicial ou é sadio? Vamos a alguns exemplos de Hollywood em que isso não contribuiu para formação de um adulto saudável:

1 - Drew Barrymore
A pequena que encantou a todos aos sete anos no papel de Gertie no filme E.T. é o maior exemplo de precocidade em Hollywood. Aos nove, ela já freqüentava a boate Studio 54 em Nova York e era vista bebendo e fumando. Aos 12 já usava cocaína. Aos 13 foi internada em uma clínica de reabilitação. Aos 14 teve sua primeira recaída. Sóbria há anos, agora ela é dona de uma sólida carreira de sucesso e está prestes a estrear como diretora na comédia adolescente Whip It!.

2 - Kirsten Dunst
Ela começou a carreira como modelo aos três anos e estourou aos 12, ao lado de Tom Cruise e Brad Pitt no filme Entrevista com o Vampiro (1994). Hoje pode ser vista em uma das maiores bilheterias de Hollywood, a franquia Homem-Aranha, na qual vive Mary Jane. Assim como Lindsay Lohan e Drew Barrymore, Kirsten tratou sua dependência em álcool em uma clínica de reabilitação.

3 - Lindsay Lohan
Antes de escândalos sexuais, prisões, acidentes de carro e reabilitação, Lilo mostrou-se uma brilhante atriz ainda criança. Seu primeiro papel no cinema foi como gêmeas, no filme Operação Cupido (1998). Voltou a fazer sucesso na adolescência, nos filmes Sexta-Feira Muito Louca (2003) e Meninas Malvadas (2004).

4 - Macaulay Culkin
Mesmo sem hoje ter uma carreira de enorme sucesso, é impossível não citar Macaulay Culkin em uma lista de crianças prodígios. Em 1990 ele despontou no papel principal de Esqueceram de Mim. Depois atuou em Meu Primeiro Amor (1991), O Anjo Malvado (1993) e Riquinho (1994). Após a glória, conheceu a decadência, envolvendo-se em diversos escândalos pessoais. Retomou a vida profissionais em 2003 com Party Monster, na qual interpreta um homossexual da era glam rock.

5 - Haley Joel Osment
Ele apareceu pela primeira vez no cinema aos seis anos, no papel do filho de Tom Hanks em Forrest Gump - O Contador de Histórias. Pouco depois, despontou em Hollywood com o papel do garotinho Cole no suspense O Sexto Sentido. O filme lhe rendeu uma indicação ao Oscar, tornando-o o 8º ator mais jovem a receber uma indicação da Academia. A exemplo de Macaulay Culkin, Drew Barrymore e Lindsay Lohan, que também começaram a atuar cedo, Haley Joel Osment não poderia ficar de fora de escândalos. Aos 18 anos, ele foi preso por dirigir alcoolizado e por porte de maconha.

O que diz a Constituição Brasileira sobre o assunto?

A Constituição Brasileira é clara: menores de 16 anos são proibidos de trabalhar, exceto como aprendizes e somente a partir dos 14. Não é o que vemos na televisão. Há dois pesos e duas medidas. Achamos um absurdo ver a exploração de crianças trabalhando nas lavouras de cana, carvoarias, quebrando pedras, deixando sequelas nessas vítimas indefesas, mas costumamos aplaudir crianças e bebês que tornam-se estrelas mirins em novelas, apresentações e comerciais.

“As pessoas assistem com mais naturalidade quando o trabalho é artístico. Mas tanto em novelas quanto nas lavouras há trabalho infantil e ele é proibido”, afirma o procurador Rafael Dias Marques, vice-presidente da Coordenação Nacional de Combate à Exploração do Trabalho de Crianças e Adolescentes do Ministério Público do Trabalho.

No Brasil, segundo o Ministério do Trabalho, não existe regulamentação legal clara para atividades artísticas de meninos e meninas. Costuma-se levar em consideração o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a Convenção 138 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ratificada no Brasil, que permite à autoridade competente, no caso o Juizado de Menores, conceder, por meio de permissões individuais, exceções à proibição da lei.

As autorizações judiciais devem levar em conta o limite do número de horas trabalhadas e as condições em que essa atividade deve ser realizada. Com a falta de regulamentação legal, no entanto, cada juizado determina qual é a regra. “Muitos alvarás estão sendo expedidos de forma não-correta: são amplos, sem proteção dos direitos”, garante o procurador.

O assunto traz muita polêmica e divide especialistas sobre a exploração de crianças e adolescentes nos meios de comunicação. Psicólogos afirmam que a exploração infanto-juvenil pode levar a uma adultização precoce, pois muitos participam de cenas com conflitos familiares, o que pode acarretar em transtornos para a criança.