A criança e a fome

A fome mata uma criança a cada 5 segundos no mundo

Vilma Medina Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Segundo relatório da ONU (Organização das Nações Unidas), a fome e a desnutrição, diz o relatório, levam à morte todos os anos mais de 5 milhões de crianças, a maioria nos países em desenvolvimento.

No mundo cerca de 100 milhões de pessoas estão sem teto; existem1 bilhão de analfabetos e 1,1 bilhão de pessoas vivem na pobreza.

A fome ainda atinge crianças recém-nascidas de uma forma alarmante. Anualmente, 20 milhões de crianças nascem abaixo do peso em países em desenvolvimento. Em alguns países como a Índia e Bangladesh, o número de casos de crianças nascidas abaixo do peso chega a 30% do total.

Crianças com fome no Brasil

Dentre os países que sofrem de subnutrição, o Brasil está em 27º lugar da lista, com 9% da população sofrendo de subnutrição. O pior resultado (1º da lista) é a Eritréia (país africano), que apresenta 35% da população subnutrida.

No Brasil, a falta de condições básicas, como água limpa, saúde, condições sanitárias, moradia, educação e informação, levam cerca de seis milhões de crianças a viverem em condições de absoluta pobreza, segundo relatório do UNICEF.

A fome mata uma criança a cada 5 segundos

A desigualdade social, juntamente com a corrupção, o que fica evidente todos os dias na mídia televisiva e escrita, são os maiores fatores para que a subnutrição aconteça em todo o mundo. No Brasil, os 10% mais ricos detêm quase toda a renda nacional. Em distribuição de renda, o Brasil só perde para a Serra Leoa, na África.

O Brasil, é recordista mundial em arrecadação de impostos. Deveríamos ter as melhores escolas públicas, as melhores estradas, a melhor saúde pública, os melhores hospitais, a melhor educação, segurança, mas o desvio de verbas, os roubos que acontecem no Senado, Câmaras em todo o Brasil, não permite que o que é arrecadado chegue de fato ao que foi destinado.

Existem ainda as causas naturais para justificar a fome: clima, seca, terremotos, inundações, pragas nas lavouras.

Podemos ainda indicar causas humanas como má administração dos recursos naturais, instabilidade política, guerras, conflitos civis, falta de recursos para os pequenos trabalhadores rurais, invasões, falta de planejamento agrícola, concentração de terra ainda nas mãos de poucos.

As conseqüências imediatas da fome são a perda de peso nos adultos e o aparecimento de problemas no desenvolvimento das crianças. A desnutrição, principalmente devido a falta de alimentos energéticos e proteínas, aumenta a taxa de mortalidade, em parte pela fome, além da perda da capacidade de combater as infecções. As crianças desnutridas não crescem direito, e quando vão à escola, não conseguem aprender. A fome causa efeitos irreversíveis.

A fome tem feito crescer o trabalho infantil. Na falta do que comer, pais permitem que crianças a partir dos 3 anos comecem a exercer trabalhos extremamente perigosos para sua idade. Essas crianças perderam sua infância, o direito garantido pela constituição à comida, à moradia, à saúde e educação.

Programas ligados à UNICEF, à Pastoral da Criança, dentre muitos outros buscam minimizar a fome em todo o Brasil.

A Pastoral da Criança, uma rede de solidariedade, acompanha mais de um milhão e 800 mil crianças e cerca de 94 mil gestantes. Com a ajuda de mais de 200 mil voluntários, a Pastoral atua em 42 mil comunidades brasileiras e no exterior. A  Pastoral da Criança constatou que o estado mais pobre do Brasil é o estado do Maranhão, e depois vem os outros, como Alagoas, Piauí, Ceará e também a Bahia.

A metodologia da Pastoral da Criança é inspirada na multiplicação dos pães, na passagem em que Jesus tinha cinco pães e dois peixinhos para saciar aquela multidão. Eles se inspiram nos pequenos grupos. São comunidades simples, pessoas necessitadas, que se organizando e trabalhando em equipe, dá certo.

“Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo” (Lc 10.27).