Desafios da Educação no Brasil segundo UNICEF

Brasil ainda tem 680 mil crianças fora da escola

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Brasil ainda tem 680 mil crianças fora da escola, segundo a UNICEF. No dia 09 de junho de 2009 em Brasília, relatório divulgado pelo Unicef - Fundo das Nações Unidas para a Infância, mostra que nos últimos 15 anos houve avanços na educação.

Cerca de 27 milhões de estudantes estão nas salas de aula, o que corresponde a 97,6% das crianças entre 7 e 14 anos. Mas o Unicef chama a atenção para o fato de que a parcela ainda fora da escola (2,4%) representa 680 mil brasileiros nessa faixa etária.

Crianças fora da escola no Brasil

O relatório mostra que a desigualdade social reflete esses números. Como era de se esperar, crianças negras, indígenas, quilombas, pobres, sob risco de violência, exploração e com deficiência, são as mais vulneráveis, segundo estudo. Segundo o UNICEF, as regiões Norte e Nordeste são onde ocorrem o maior número de crianças que não frequentam escolas.

Enquanto em Santa Catarina 99% das crianças e adolescentes têm acesso à educação, no Acre esse percentual cai para 91,3%.

O principal desafio é diminuir as desigualdades, e não apenas ter acesso à escola, mas a permanência, aprendizagem e a conclusão dos estudos na idade certa. Ainda existe um número alto de repetência e abandono escolar, causando forte impacto na adequação idade-série.

Segundo estudo, houve redução no analfabetismo em consequência do aumento da taxa de escolarização. A menor taxa de analfabetismo , segundo Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 2007, está entre jovens entre 15 e 17 anos – 1,7%.

 

680 mil crianças brasileiras fora da escola

 

O relatório mostra que apesar dos alunos passarem em média 10 anos na escola, eles completam com sucesso pouco mais de sete séries.

O Unicef destaca que a ampliação da obrigatoriedade do ensino é fundamental para garantir a todos o acesso à educação. Hoje apenas o ensino fundamental (dos 7 aos 14 anos) é obrigatório. O fundo recomenda que a educação infantil (para crianças de 4 e 5 anos) e o ensino médio (dos 15 aos 17 anos) também sejam incluídos. Proposta de emenda à Constituição que estende a obrigatoriedade a essas etapas de ensino tramita no Congresso Nacional.

Segundo o relatório, nas nações desenvolvidas a escolaridade obrigatória varia de dez a 12 anos e engloba o ensino médio. Em alguns países como a Alemanha, a Bélgica e a Holanda, a escolarização obrigatória chega a 13 anos.

A valorização do trabalho do professor, em conjunto com uma educação de qualidade, e estrutura para isso, coloca esses países nos mais altos rankings dos exames internacionais.

Fica difícil imaginar o Brasil com esse tipo de qualidade de ensino, pois vemos todos os dias absurdos dentro das escolas e salas de aula, com alunos ameaçando e até matando professores, a presença diária de drogas, brigas, violência e a depredação de escolas públicas, que só vem crescendo. Isso sem contar com a falta de preparo dos professores, assim como salários baixos, tendo como consequência um ensino deficiente. Mas mesmo com todos esses problemas, o Brasil já melhorou muito.