O que fazer quando uma criança arranha

Conselhos para educar crianças com comportamentos agressivos

Vilma Medina Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Algumas crianças pequenas passam por uma fase em que expressam suas frustrações mediante chutes, mordidas ou arranhões. Uma fase normal do desenvolvimento que preocupa muito aos pais tanto da criança que arranha como dos pais das crianças que sofrem os arranhões.

Por que as crianças arranham e o que fazer quanto uma criança recorre a essa conduta, são as duas questões que abordamos neste artigo. 

Por que as crianças arranham

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Morder, bater e arranhar são três comportamentos de exploração e de liberação da frustração que acontece com bastante frequência em crianças entre 12 e 36 meses.

Esse tipo de comportamento faz parte da normalidade no desenvolvimento infantil, e é compreensível que os pais das crianças que iniciaram com esse tipo de comportamento se mostrem preocupados e angustiados e que devemos interromper o quanto antes oferecendo condutas alternativas. Ninguém gosta de ser chamado a atenção porque o seu filho arranhou a outra criança ou encontrar o rosto do nosso filho com arranhões de um companheiro. 

Entre os 12 – 18 meses as crianças estão imersas no seu processo de aprendizagem, e experimentam todo tipo de comportamentos, mordidas, murros e arranhões, inclusive. Esse comportamento agressivo faz parte do seu aprendizado e desenvolvimento e não devemos dar mais importância do que realmente têm.

As crianças podem começar a arranhar por diferentes razões ou motivos. Se identificarmos qual o motivo do nosso pequeno, isso servirá para ajudá-lo a encontrar outro modo de se expressar. Existem crianças que arranham para se defender, para obter um benefício (um brinquedo, a atenção de um adulto...), como um meio de expressar sua frustração. 

Como sempre, entender porque o nosso filho está tendo esse comportamento nos ajudará a encontrar o modo de ajudá-lo a eliminar esse tipo de comportamento.

O que fazer quando uma criança arranha

Quando uma criança arranha a outra, devemos agir com firmeza, mas sem severidade. Temos que nos lembrar que crianças pequenas estão aprendendo a equilibrar suas emoções, e nós, pais ou educadores, somos os modelos de referência, portanto:

1. Nunca se deve devolver à criança o arranhão para que veja como causa danos com as suas unhas. Fazendo isso, somente transmitimos a idéia errônea de que a violência é uma forma adequada de gerenciar suas emoções. 

2. Tão pouco recompensaremos o comportamento de arranhar com um sorriso ou algo parecido. 

3. Pais e educadores (quando as crianças vão para a creche) devem trabalhar conjuntamente para eliminar essas condutas nocivas.

4. Não devemos chamá-la de ‘má’, nem com frases parecidas. Isso, ao longo do tempo, mina a sua autoestima. Não existem crianças más, somente comportamentos inadequados que devemos redirecionar.

5. Em certas ocasiões, quanto mais insistirmos em que deixem de realizar um comportamento como esse se produz um efeito contrário.

6. Podemos aplicar um reforço de tempo limite, ou seja, após a "agressão" desviar a criança a partir do local onde aconteceu e explicar o fato de que este tipo de comportamento não é bom.

O hábito de arranhar, da mesma forma que bater ou morder, pode desaparecer com o tempo, ainda que, em alguns casos seja muito persistente e possa ser que dure até os 3 – 4 anos.

Sara Tarrés Corominas

Psicóloga infantil 

Orientadora infantil