A relação do bebê com o livro

Mesmo antes de saber ler, os bebês já devem ter contato com os livros

Vilma Medina Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Um livro pode se tornar no melhor aliado do seu filho. Nunca é cedo demais para introduzir os contos na vida das crianças. Muito antes de saber ler, os bebês podem se relacionar com os livros, pois são capazes de escutar, ver e sentir (sentem inclusive antes de haver nascido, dizem os especialistas). 

Desde que nascem a curiosidade da criança se desenvolve, e, através dos três sentidos se descobre como se gera e aumenta a curiosidade e o gosto pelos livros e suas histórias. Mergulhe os seus filhos no mundo da leitura! 

As crianças nascem com necessidade de histórias

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Os bebês nascem com algumas necessidades de afeto, de sono, de alimento... E nascem também com necessidade de histórias. Eles têm necessidade de estímulos para a palavra, tanto oral como escrita, com o adulto como cúmplice. Quanto antes colocar os bebês em contato com estes estímulos, melhor. Quando ainda estão no berço é conveniente contribuir com pensamento e palavra através de canções de ninar, brincadeiras corporais e de narração de pequenas histórias. 

Antes dos três anos, a relação mãe-filho ou pai-filho cria situações muito especiais para o desenvolvimento da linguagem. Se isso acontece desde o início, implica em enormes vantagens no desenvolvimento posterior da criança. Não sabemos o que entendem, mas já descobriremos do que a criança prefere. E todas elas querem histórias, palavras especiais, sonoras, seja qual for o seu significado! Aos bebês, desde o primeiro momento, podemos falar de três formas diferentes: 

- Com a linguagem dos fatos, dos atos, das situações do cotidiano. É a linguagem que normalmente utilizamos quando o vestimos, o alimentamos, o amamos.

- Com a linguagem do relato, que tem a mesma capacidade de comunicação da língua escrita. Esta linguagem a gente utiliza ao contar, ao cantar, ao recitar. Não interessa tanto a eles os conteúdos como a sonoridade das palavras. Com esta linguagem cotidiana se desenvolve.

- Com a linguagem do silêncio, necessária para que possa interiorizar o que estamos comunicando, e possa responder aos estímulos.

Evolução de interesses e capacidades do bebê

A evolução dos interesses e as capacidades nos pequenos é excepcionalmente rápida nos seus primeiros anos de vida. O primeiro contato que a criança tem com o livro é um ato de exploração sensorial. Ela gosta de aproximá-lo à boca, olhá-lo, tocá-lo, jogá-lo, pegar em suas mãos, manipulá-lo e descobri-lo. Por volta do primeiro ano, um bebê é capaz de reconhecer os seus pais através de uma fotografia, e igualmente será capaz, nesta idade, de reconhecer familiares representados nas ilustrações dos livros.

Estes são os seus primeiros passos no processo de iniciação à leitura. A aquisição da linguagem se produz entre os 10 e os 30 meses, sendo este um período de intensa conquista intelectual para que a criança caminhe em direção à sua autonomia. Até os dois anos, a maioria das crianças utiliza convenções literárias: repetições de palavras, fórmulas de início e finais dos contos, mudança no tom da voz, etc. Todos esses avanços serão vistos aumentados, sem dúvida, naquelas crianças que já tenham ouvido contar muitos contos. Tudo isso nos anima a começar o quanto antes a contar e a brincar com os contos.

A brincadeira e a estimulação do bebê com os livros

Os livros são um instrumento de cultura que favorecem os aprendizados e permitem que a criança desenvolva sua capacidade de atenção e expressão, que conheça o mundo que a rodeia e amplie o seu vocabulário. Desde um primeiro momento, os livros constituem em um meio excelente de comunicação entre o adulto e o bebê. Com um livro nas mãos, o adulto fala, olha, acaricia e estabelece uma relação afetuosa com a criança. A leitura, por outro lado, é uma ação onde o afeto tem um papel destacado. Deve-se brindar a criança com momentos de muito afeto, que a façam relacionar o ato de ler com a satisfação pessoal. 

Por isso, o papel dos pais é fundamental para fazê-los chegar aos livros e suas histórias. Os pais podem relacionar o que existe nos livros com o que a criança conhece com o que ela gosta, com o que a satisfaz e necessita. A família é, portanto, um elemento determinante no desenvolvimento do hábito de leitura da criança, sobretudo, se levarmos em conta que as crianças imitam modelos a seguir. É muito importante que os pais contem, leiam em voz alta, e se torne em definitivo, referência no hábito de leitura dos seus filhos. 

Teresa Corchete Sánchez

 Fundación Germán Sánchez Ruipérez

 ‘Rodada de livros’: Programa de promoção da leitura com crianças de 9 meses a 3 anos de idade. 

Centro Internacional do Livro Infantil e Juvenil