A lateralidade em crianças

O que é a lateralidade cruzada na infância

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Quase sem se dar conta, as crianças utilizam uma mão de forma preferencial; se olham pela objetiva de uma câmera usam um olho antes que outro ou quando chutam uma bola parecem fazer com o mesmo pé. Há um lado do corpo que utilizam mais do que o outro. Isso tem a ver com a lateralidade. 

Você sabe a que nos referimos quando falamos de lateralidade ou lateralidade cruzada? Hoje nós explicamos esses conceitos para que você possa compreendê-los melhor e entenda por que não se deve forçar a uma criança a usar uma mão preferencialmente

O que é a lateralidade na etapa infantil?

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Explicado de uma forma simples, a lateralidade é a preferência que todos nós temos em utilizar uma parte do nosso corpo. Um dos exemplos mais claros é o uso de uma mão ao invés da outra, assim encontramos pessoas destras e canhotas, mas também ambidestras. A lateralidade não se limita somente ao uso das mãos e extremidades, mas também ocorre o mesmo com o ouvido e o olho. 

Na grande maioria das pessoas, o hemisfério cerebral esquerdo rege a metade corporal direita, enquanto que o hemisfério direito é o que guia a metade esquerda. Ainda se desconhecem os motivos dessa especialização cerebral. 

Como a lateralidade evolui nas crianças

A lateralidade é um processo dinâmico que passa por diferentes fases até que, aproximadamente aos 6 – 7 anos termina por se estabelecer definitivamente. É importante que quando a criança chegue a idade de escolarização obrigatória (6 anos) tenha adquirido sua lateralidade. 

O adequado desenvolvimento da lateralidade é imprescindível para um correto aprendizado da leitura-escrita, da elaboração do seu esquema corporal, da organização da referência espacial direita – esquerda. 

- Fase de indiferenciação (0 a 2 anos): Trata-se de um momento em que a criança não tem definida sua lateralidade. O pequeno descobre que tem duas mãos e que lhe pertencem. É a etapa em que gosta de agarrar e jogar os objetos que manipula e se dá conta que isso lhe permite interagir com o ambiente.  

- Fase de alternância (2 a 4 anos): Período em que a criança se torna uma verdadeira exploradora; tudo lhe fascina e por isso necessita ir de um lado para o outro e tocar em tudo o que estiver ao seu alcance. Se o observarmos bem, veremos que ainda utiliza as duas mãos de forma indistinta para fazer qualquer tipo de atividade. 

- Fase de automatização (4 a 6 anos): A partir dos 4 anos veremos como pouco a pouco a criança vai automatizando seus gestos. É o momento em que a criança começa a utilizar mais um lado do que o outro. Assim começará a olhar por um buraco pelo olho dominante, usar o fone de ouvido do telefone ao ouvido preferencial, chutar a bola com o pé dominante, pegar o lápis para escrever ou um copo para beber com a mão que finalmente irá usar. 

Como vemos, a lateralidade se encontra interrelacionada com o conjunto das funções motoras e, por sua vez, intervém em todos os níveis de desenvolvimento da criança. 

Tipos de lateralidade 

Existem diferentes tipos de lateralidade: 

- Destro: onde existe predomínio cerebral do hemisfério esquerdo e realizações motoras da direita. 

- Canhoto: quando o hemisfério cerebral direito é quem guia e exerce a ação motora do lado esquerdo de forma dominante. 

- Falso destro: são aquelas pessoas que têm sido obrigadas a realizar tarefas com a direita quando se considerava o ser canhoto como uma doença. Felizmente esse tipo de crença já tem desaparecido praticamente da nossa sociedade. 

- Ambidestro: canhoto para algumas atividades e destro para outras. 

- Lateralidade cruzada: mão e olho predominante não pertencem ao mesmo lado. 

Sara Tarrés

Psicóloga Infantil