A cefaléia na infância

Quando a criança se queixa de dores de cabeça

Vilma Medina Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

A cefaléia, que se define como dor ou mal estar na cabeça é um motivo de consulta muito frequente na idade pediátrica e um importante problema de saúde na infância, já que se encontra entre as causas mais frequentes de ausências escolares. Durante os primeiros 14 anos de vida, segundo alguns estudos, até 96% das crianças já sofreram algum episódio de cefaléia. 

Tipos de cefaléia nas crianças

a-cefaléia-na-infância A

Existem 2 grandes grupos dentro das cefaléias nas crianças: 

1. Cefaléias primárias: Por um lado, as chamadas cefaléias primárias entre as que se encontram principalmente a enxaqueca e a cefaléia tensional. 

2. Cefaléias secundárias: são aquelas que são atribuídas a outra patologia. Estas últimas são muito menos frequentes.

Centrando-nos nas primárias, que são habituais em crianças, encontramos algumas diferenças quanto à intensidade, padrão temporal, sintomas que a acompanham etc.:

- As enxaquecas: Grosseiramente, a enxaqueca vem a ser uma cefaléia de intensidade moderada a grave, em muitas ocasiões hemicraniana e pulsátil, que interrompe a atividade habitual da criança, usualmente acompanhada de fotofobia, sonofobia e vômitos e que pode se apresentar a qualquer hora do dia. Em algumas ocasiões, a cefaléia se desencadeia por fatores que os pacientes identificam claramente, como pode ser a ingestão de alimentos como o chocolate ou o queijo, em meninas adolescentes com a menstruação o que se denomina cefaléia catamenial. 

É muito frequente que na família da criança haja outros membros com este tipo de dor de cabeça. A cefaléia tem outra peculiaridade e em ocasiões pode vir precedida pelo que se conhece como ‘aura’. A aura consiste em sintomas neurológicos (com maior frequência sintomas visuais tipo ‘flashes’ ou ‘lampejos’) que aparecem antes do inicio da dor de cabeça e que desaparece quando começa a cefaléia. A cefaléia é a causa mais frequente e recorrente na infância e na adolescência. A partir da idade da puberdade se apresenta mais frequentemente nas meninas (6%) do que nos meninos (3,5%).  

- A cefaléia tensional: A cefaléia tensional, por sua parte, se define por episódios recorrentes de cefaléia, de duração muito variável, consistentes com dor opressiva de intensidade leve ou moderada, de localização bilateral e que não é agravada com as atividades físicas rotineiras. Não é acompanhada de déficit neurológico nem de sintomatologia digestiva (náuseas, vômitos), podendo apresentar fotofobia ou fonofobia, mas não ambas. 

Os sintomas que consideramos alarmantes e que obrigam a descartar que se trate de uma cefaléia secundária ou outra patologia é a cefaléia intensa e progressiva que são acompanhadas de vômitos frequentes, alterações da conduta ou mudanças de caráter, perda de peso, cefaléia que desperta pela noite, que aumenta com o exercício, tosse ou mudanças posturais, ou cefaléia persistente, que não responde às medidas terapêuticas habituais.

O diagnóstico e tratamento da cefaléia nas crianças

O diagnóstico da cefaléia e da cefaléia tensional é clínico, por isso a história clínica relatada pelo paciente e uma exploração neurológica normal são suficientes para fazer o diagnóstico sem requerer exame de imagem. 

Quando uma criança tem tendência a apresentar episódios de cefaléia deve procurar levar uma vida organizada, mantendo os horários de sono e ordem nas refeições, já que variações nestes hábitos podem desencadear a dor de cabeça. Da mesma forma se recomenda dar analgésico de forma precoce sem esperar que a dor tenha se instaurado totalmente, já que neste caso será mais difícil que desapareça. Finalmente, se a cefaléia é uma enxaqueca, convém que a criança se deite em um ambiente tranquilo e escuro até que a dor ceda. 

Iván Carabaño Aguado

Chefe do Serviço de Pediatria 

Hospital Universitário Rey Juan Carlos

Hospital General de Villalba