A inteligência dos bebês prematuros

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

O nascimento de bebês prematuros continua aumentando. De acordo com um estudo da Organização Mundial da Saúde, publicado neste ano, o número de crianças nascidas antes do tempo, já está perto dos 15 milhões no mundo e o número continua crescendo. 

Como nascer antes do tempo pode afetar aos bebês prematuros? Enquanto continuamos comemorando a sua elevada taxa de sobrevivência, hoje em dia temos que nos preocupar como será a sua qualidade de vida. 

Que consequências tem um bebê prematuro?

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Os bebês prematuros são criaturas muito frágeis. Um dos maiores avanços da medicina nas últimas décadas é que a ciência tem conseguido salvar suas vidas em situações limite. Na Espanha, a taxa de sobrevivência de bebês prematuros beira 90% dos nascidos na 29ª semana, segundo a Sociedade Espanhola de Neonatologia. São os chamados bebês-milagre. O Brasil está entre os 10 países que mais acontecem partos prematuros. De acordo com o Ministério da Saúde, aproximadamente 280 mil bebês por ano (9,2% do total) nascem antes da gestação completar as 37 semanas. 

No entanto, como a prematuridade afetará ao bebê à medida que vai crescendo? Diferentes estudos têm investigado quais são as características cerebrais específicas das crianças nascidas antes do tempo. Os resultados do último estudo por pesquisadores do Institute of Psychiatry (Instituto de Psiquiatria) de Londres mostraram que ser um bebê prematuro tem consequências para o seu cérebro, o que está relacionado a um pior rendimento em tarefas de aprendizagem e memória verbal e funções executivas. E o que é mais importante é que esse perfil cerebral poderia acompanhar o indivíduo até a idade adulta. 

Essa afirmação está baseada nas análises da microestrutura da substância branca do cérebro com uma moderna técnica de neuroimagem. Os pesquisadores perceberam que os adultos com antecedentes de prematuridade tinham alterações na substância branca no nível do corpo caloso (um grande feixe de fibras que liga os dois hemisférios cerebrais), e também nas áreas sensório-motoras e da associação entre ambos os lados do cérebro.  Portanto, esse perfil mostra uma tendência a apresentar quocientes intelectuais (QI) mais baixos do que seus iguais nascidos a termo, e uma frequência maior nas alterações de comportamento e necessidade de apoio acadêmico.

A sobrevivência é um grande avanço da medicina, mas é necessário pensar na qualidade de vida que espera no futuro desses bebês. Como? Colocando em prática e ao seu alcance, todas as atividades e programas que promovam o desenvolvimento cognitivo dos bebês prematuros. Os programas de atendimento preventivo precoce, que visam a estimulação cerebral para as crianças de 0 a 3 anos, é uma iniciativa interessante para ajudar essas pessoas a desenvolverem todo o seu potencial cognitivo não somente na infância, mas também no desempenho dos seus estudos acadêmicos e profissionais ao longo da sua vida. 

Marisol Nuevo

Redatora de Guiainfantil.com