Mudanças nos finais dos contos

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Muitos pais se perguntam por que alguns contos tradicionais de toda a vida como Chapeuzinho Vermelho têm um final trágico. Muitos já contaram novas versões em que o lobo não come a vovozinha nem tão pouco morre no rio. 

Os ‘Happy Ends’ estão na moda. A dulcificação dos finais dos contos não é mais que a ponta do iceberg do caráter bondoso com que a sociedade está envolvendo as crianças.

Alguns especialistas consideram que a excessiva proteção que os pais têm em relação aos filhos pode ter consequências negativas para elas, além de um atraso na maturidade e maior vulnerabilidade diante certas situações da vida. 

Finais de contos felizes, tristes ou trágicos

Alimentar a inocência das crianças enquanto dura a infância é o que está propiciando que nossas crianças leiam contos com finais felizes. Mas, você já se perguntou alguma vez o que nos acrescenta um final feliz? Um gosto bom na boca, um vislumbre de esperança, a fé em um futuro melhor... 

Nos contos, como nas séries de televisão e nos filmes do cinema, o objetivo para o leitor, nesse caso, o espectador, é o entretenimento e a diversão. 

Trata-se de desfrutar de um bom momento de entretenimento dentro do mundo da ficção e no final das contas é uma parte importante de todo esse desenvolvimento. Os textos dos contos sempre escritos por adultos desenvolvem aspectos psicológicos e emocionais que as crianças podem compreender ao mesmo tempo em que se estimula a sua imaginação, ajudam a desenvolver sua inteligência e clarificar suas emoções, sobretudo, porque através dos contos podem reconhecer seus conflitos e encontrar soluções que as preocupam.

Se a gente imaginar que os contos proporcionam segurança à criança e um final feliz pode ser imprescindível em todo conto que se aprecie, porque finais trágicos ou aterradores podem deixar as crianças sem esperança para solucionar seus problemas. A maioria dos contos infantis finaliza com um perfeito desenlace emocional como o acontecimento de casamentos do príncipe com a princesa, e as pessoas alcançarem o poder e o autocontrole da própria vida como quando os personagens se convertem em reis ou rainhas. 

Esses finais tão agradáveis, presentes em Branca de Neva, A Bela Adormecida ou os Três Porquinhos, são ideais para a narração noturna aos pés da cama, porque convidam a criança conciliar o sono de maneira pacífica. No entanto, também nesse tema, o ideal seria encontrar o meio termo. 

Alguns especialistas consideram uma boa ideia oferecer às crianças dois finais: o trágico e o feliz. E eu me pergunto: ‘Vocês já experimentaram isso?’ Quando li para meu filho dois finais diferentes de um mesmo conto, ele ficou parado e me perguntou: ‘Mamãe, então a gente fica como?’ De maneira que fiquei pensando se estaria confundindo ao meu filho. Creio que escolher o tipo de final é responsabilidade de cada família, a cada mamãe ou papai. Cada um deve saber como quer educar seus filhos

Marisol Nuevo