Os nomes dos filhos são nosso legado a eles

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Enquanto esperava a consulta, saiu a enfermeira para chamar a seguinte paciente, e disse: Dona Dores Fortes de Barriga... Há! Há! Há! Isso é uma piada, mas nos serve para dar-nos conta de que na hora de escolher um nome para o nosso filho, os pais devem levar em conta muitas coisas, como, por exemplo, os sobrenomes que vêm a seguir. Tanto é assim, deve-se evitar a todo custo esse tipo de combinações engraçadas ou que soem mal para não marcar o nosso filho por toda a vida.  

Que nome escolher para o bebê

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Todas as pessoas necessitam de um nome, e, às vezes, escolher o nome de um filho implica quase numa tese de doutorado: sonoridade, origem, personagens históricos, etimologia, significado, frequência... 

O tema é que, curiosamente, conhecendo o nome de uma criança, muitas vezes podemos descobrir algo da personalidade dos seus pais: seus gostos, desejos e inclusive sua forma de ser e pensar. Por exemplo, meus amigos dos EUA, por suas convicções cristãs, deram nomes aos filhos dos quatro evangelistas; outros papais, pelo contrário, consideram esses nomes ‘santos’ muito comuns e exploram novas possibilidades buscando nomes pouco usados ou de outra língua diferente à sua materna, por exemplo, nomes ingleses, italianos, gregos... Porque dentro do ambiente que seu filho se moverá soarão exóticos e serão pouco comuns. 

Há quem se deixa levar pelo modismo ou ídolos do momento, e quem busca outros aspectos mais comuns, como o nome escolhido combine com os sobrenomes, que seja simples, curto ou composto, que pertença a um determinado personagem familiar, da história, ou da atualidade. Anedotas sobre nomes existem milhares; meu marido me conta que ele foi quem pôs o nome ao seu irmão menor, porque com dois aninhos ele se aproximava da barriga da sua mãe e gritava: Daviiiiiii, ou seja, David. 

Muitas vezes na escolha de um nome não só dos pais participam, já que estes podem pedir a aprovação à família ou amigos sobre o que opinam, e então, estão perdidos! Vão chover tantas sugestões e porquês, prós e contras, que no final ficarão ainda mais confusos.  O que parece claro é que as tendências na busca de um nome vão mudando. 

Nome de um familiar para o bebê 

Tradicionalmente, os nomes eram escolhidos sempre relacionando com a história e raízes familiares: o nome do pai, da mãe, do avô, da avó, ou bisavô... De fato, meu amigo Casimiro se chama assim porque várias gerações da sua família já possuíam esse nome, e ainda que sua mãe não concordasse em colocar esse nome porque soava muito antigo e em desuso, o seu pai foi ao registro civil e o registrou. Casimiro, para continuar com a tradição da sua família (um pequeno desgosto para a sua mãe). 

A mim, pessoalmente, não gosto que os filhos tenham os mesmos nomes dos pais, pelo simples fato de não ter que andar perguntando: Mas, a quem se refere, ao pai ou ao filho? Nos EUA eles se referem a Junior para evitar confusões, o que me parece um despropósito, porque ao final ninguém o conhece pelo nome que realmente tenha. 

Ainda que, quando for adulto, o seu filho possa mudar o nome no Registro Civil, a sua escolha de nome para ele não deveria implicar-lhe num trauma durante anos. E, ainda que na nossa personalidade e não o nosso nome é o que nos torna especiais e únicos, estou convencida que dar um nome a um bebê é um privilégio; faz parte do nosso legado para ele, e é algo que nós levamos dos nossos pais para sempre. Assim que, continuamos pensando! 

Patro Gabaldón