Como dizer a uma criança que um dos seus pais morreu

Como comunicar à criança a morte de um familiar próximo

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Comunicar a morte de uma pessoa querida, como um pai ou uma mãe é sempre uma notícia muito difícil de transmitir, mas quando se trata de uma criança, que nem sequer sabe o que é a morte, isso se complica ainda mais. 

No caso em que tenha que fazê-lo será fundamental adequar a mensagem à idade da criança, mas seguindo sempre umas regras básicas. 

10 conselhos para comunicar a morte de um dos pais à criança

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Aqui seguem alguns conselhos para tornar um pouco mais leve este momento tão difícil: 

1. Não mentir: As crianças necessitam saber a verdade. Não se pode dizer a elas que a pessoa tenha partido, e que estão em outro lugar, porque a criança logo sentirá que algo está acontecendo e muitas vezes essa gestão de silêncio e de incerteza é quase pior do que contar-lhe o acontecido. 

2. Não dar-lhe mais informação do que o necessário: Não é necessário dar-lhes detalhes. Não há por que explicar-lhes como morreu nem as causas da sua morte. Não é necessário de forma alguma que a criança veja o familiar falecido. Algumas crianças mais sensíveis podem ser muito afetadas com essa visão, e é melhor que se lembrem da pessoa com vida. Algo que ajuda muito a entender a morte é falar-lhes de um animal de estimação, o típico peixinho de aquário que tenha morrido. Por mais duro que nos pareça, as crianças têm que saber que a vida termina. 

3. Dar-lhes segurança: é muito importante como eles vêem aos pais; é normal estar triste porque já não está o papai ou a mamãe. É bom que de vez em quando a criança chore e jogue para fora o sentimento, que veja que os adultos também choram. Mas, o que se deve evitar é um estado de depressão ou de apatia absoluta, já que é normal que uma vez que um dos dois tenha falecido, no menino ou na menina gere certo medo que isso venha acontecer ao outro. Assim que devemos reforçar sua segurança. 

4. Evitar que a criança presencie situações desagradáveis: como, por exemplo, que a ela entre no necrotério para ver o caixão... Se a criança é muito pequena ou muito sensível isso não vai acrescentar nada a ela e o mais provável é que leve uma recordação muito desagradável do dia. 

5. Será muito importante a comunicação com a escola: Nesses casos deve-se sempre falar com os professores, não apenas diante da celebração do dia do pai ou da mãe no caso em que um desses falte, mas desde o momento em que isso ocorra e desde o primeiro dia de aula, que nos ajudem a monitorar o comportamento da criança e nos avisem diante de qualquer incidente. 

6. O apoio dos amigos é importante: É importante não trocar de escola a criança que tenha passado por uma situação dessas, pois ela necessitará de todo o apoio disponível e dos seus amigos. 

7. O luto depende de cada pessoa: Três meses pode ser um tempo razoável, mas dependerá de cada pessoa e de cada situação. 

8. Estejamos atentos aos sinais do seu comportamento: Às vezes a criança custa em verbalizar seus sentimentos, assim que muitas vezes a gente se dará conta de como irá evoluindo em relação à situação através dos desenhos ou do que fala e, sobretudo através do que faz ou deixa de fazer. 

9. Há certos casos em que a ajuda de um profissional possa ser necessária: Se virmos que a situação dura mais do que a gente pensamos, ou que vão sucedendo comportamentos que antes não acontecia, o melhor é procurar um profissional que nos ajude com que a criança vá recuperando a esperança e a alegria. 

10. Podemos aprender a ser feliz: É importante fazer chegar à criança a idéia de que por mais dura que seja a situação, a gente deve continuar buscando o lado amável da vida, que nossa felicidade não depende dos outros, que depende da gente mesmo. 

Silvia Álava Sordo

Psicóloga