A Pequena Vendedora de Fósforos. Conto para crianças

Contos de Natal servem para incutir valores na mente das crianças e adultos

Vilma Medina

Vilma Medina

A Pequena Vendedora de Fósforos é um conto clássico para crianças, escrito pelo poeta Hans Christian Andersen. A história acontece no Natal e ainda que tenha um final triste, podemos extrair uma moral dessa história. Trata-se de uma lição de compaixão a respeito daquelas pessoas que tem menos sorte que a gente.

Um conto que ensina compaixão às crianças

O conto infantil A pequena vendedora de fósforos

Que frio fazia! Nevava e começava a escurecer. Era a última noite do ano, a noite de São Silvestre. Debaixo daquele frio e naquela escuridão, passava pela rua, uma pobre menininha, descalça e com a cabeça descoberta. Quando saiu de casa, calçava chinelos, mas de nada adiantavam, pois eram chinelos tão grandes para seus pequenos pezinhos. Eram os antigos chinelos de sua mãe.

Um dos chinelos não teve como encontrá-lo, e o outro, um moleque encontrou e saiu correndo com ele. Assim, a pobrezinha caminhava descalça com os pés sem proteção, já vermelhos e roxos de frio.  Dentro de um velho avental carregava alguns fósforos, e um feixinho deles na mão. Ninguém havia comprado nenhum naquele dia, e ela não tinha ganhado sequer um níquel. Tremendo de frio e morrendo de fome, lá ia a pobre menina voltando para casa quase se arrastando. Uma imagem terríve!

Os flocos de neve lhe cobriam os longos cabelos loiros, que lhe caíam sobre o pescoço em lindos cachos. Decidiu já muito cansada sentar-se no chão, encolhida como um novelo de lã, perto de duas casas com luzes brilhantes, de onde vinha um cheiro de ganso assado, pois era véspera de Ano Novo.

Encolhia os peitos o máximo possível, mas o frio ia invadindo aquela pequena criança, e por outro lado, não se atrevia voltar pra casa, pois não tinha vendido sequer um fósforo, nem ganho um mísero centavo. Seu pai bateria nela, além do que na sua casa fazia frio também, pois nada tinham como abrigo, exceto um telhado onde o vento assobiava através das frechas maiores, tapadas com palha e trapos.

Suas mãozinhas estavam duras de frio. Naquela situação, com certeza, nenhum fósforo a aliviaria. Ah! bem que um fósforo lhe faria bem, se ela pudesse tirar só um da caixa, riscá-lo na parede e aquecer as mãos à sua luz!

Tirou um: risc! O fósforo lançou faíscas e se acendeu.

Era uma morna chama luminosa. Parecia uma vela pequenina quando ela o abrigou na mão em concha... Que luz maravilhosa!

Com aquela chama acesa a menininha imaginava que estava sentada em frente a um grande fogão, com lustrosa base de cobre, assim como a coifa.

Como o fogo ardia! Como era confortável! Mas a pequena chama se apagou, o fogão desapareceu, e ficaram-lhe na mão apenas os restos do fósforo queimado.

Acendeu outro fósforo, que ao acender, a sua luz caiu em cheio na parede ela se tornou transparente como um véu de gaze, e a menininha pôde enxergar a sala do outro lado. Na mesa estava estendida uma toalha branca como a neve e sobre ela havia uma brilhante louça de jantar. O ganso assado fumegava deliciosamente, recheado de maçãs e ameixas pretas. Ainda mais maravilhoso era ver o ganso saltar da travessa e sair em sua direção, com a faca e o garfo espetados no peito! Naquele momento o fósforo se apagou, deixando à sua frente apenas a parede áspera, úmida e fria.

Acendeu o terceiro fósforo, e se encontrou sentada debaixo de uma linda árvore de Natal. Era maior e mais enfeitada do que a árvore que tinha visto pela porta de vidro de um rico negociante. Milhares de velas ardiam nos ramos verdes, e cartões coloridos, iguais aos que se encontram nas papelarias, estavam voltados para ela. A menininha ergueu a mão para os cartões, mas nisso o fósforo se apagou.

As luzes do Natal subiam mais altas. Ela as via como se fossem estrelas no céu, e uma delas caiu, formando um longo rastro de fogo.

“Alguém está morrendo” – pensou a menininha, pois sua vovó, a única pessoa que gostava dela, mas estava morta, havia-lhe dito:

- Quando uma estrela cai, uma alma é levada para Deus.

Ela riscou outro fósforo na parede e o espaço se iluminou logo, e apareceu a radiante vovó da menina, doce e carinhosa.

-Vovozinha, - exclamou a pequena – Me leva com você! Sei que quando o fósforo se apagar, a senhora já terá ido, do mesmo modo que aconteceu com as chamas de fogo, a comida fumegante e a luminosa árvore de Natal.

E se apressou para acender todo o feixe de fósforos, pois queria reter diante da vista sua querida vovó. E os fósforos brilhavam com tanto fulgor que iluminavam mais que a luz do dia. Sua avó nunca lhe parecera grande e tão bela. Tornou a menininha nos braços, e ambas voaram alegres e iluminadas para cima,  subindo cada vez mais alto para onde não havia frio nem fome, nem medos. Estavam subindo para Deus. 

Mas na esquina das duas casas, encostada na parede, ficou sentada a pobre menininha de rosadas faces e boca sorridente, que a morte congelara na última noite do ano velho.

E a primeira manhã do Ano Novo, Iluminou o pequeno cadáver, sentada, com seus fósforos, quase todos queimados. “Queria aquecer-se”, diziam as pessoas que passavam pela rua.

Porém, ninguém imaginava como era belo o que estavam vendo, nem o esplendor para onde ela se fora com a avó, e a felicidade que sentiu no dia do Ano Novo.

FIM

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