Vantagens da dor de parto

O parto normal tem se tornado um fantasma para muitas mulheres

Vilma Medina Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

O medo da dor, assim como a vida ativa das mulheres no nosso século, tem levado ao aumento do parto cesáreo não apenas no Brasil, mas no mundo todo. É claro que anestesia epidural, utilizada no parto cesáreo, torna-se  útil e imprescindível em alguns casos. O parto normal favorece a expulsão dos líquidos pulmonares do bebê, complica menos, com menos risco de infecções e a permanência no hospital é breve. O custo para os pais e o hospital também é menor e a mãe retorna rapidamente às atividades normais, porque não há dor após o parto.

Recentemente, o Dr. Denish Walsh, obstetra e professor da Universidade de Nottingham (Reino Unido), num artigo publicado na revista “Evidente Based Midwifery", explica que a dor é um rito de transição que ajuda a regular o parto.

Dor de parto

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Segundo Walsh, a dor do parto tem uma série de efeitos benéficos para a mulher e o bebê, que perdem sua eficácia quando a paciente escolhe dar à luz com anestesia epidural, embora seja útil e imprescindível em alguns casos.

A dor de parto, além de contribuir com a fisiologia do parto, fortalece ainda mais o vínculo entre mãe e filho e prepara a mulher para as responsabilidades da maternidade

Apesar da disponibilidade de outras alternativas menos invasivas contra a dor, a anestesia epidural cresceu muito nos últimos 20 anos, embora, insistimos, que em alguns casos ela é essencial para a vida da mãe e do bebê.

Uma das vantagens de optar por um parto natural, além das razões médicas, é o prazer desse rito fisiológico que termina com o nascimento do bebê, além do fato de que a própria dor induz a liberação de endorfinas, que dão uma sensação de euforia e bem-estar.

“No parto natural o bebê pode ser imediatamente acolhido e ter vínculo com a mãe. E não há nada melhor para fortalecer o sistema imunológico da criança que afeto e carinho”, explica Adson França, diretor do Departamento de Ações Estratégicas do Ministério da Saúde.

O Dr. Walsh ainda afirma que alguns estudos demonstraram que a anestesia epidural aumenta a probabilidade de ter que induzir as contrações com tratamentos hormonais e é mais frequente o uso de fórceps para ajudar a saída do bebê.

No Reino Unido, o uso da anestesia aumentou 17%, entre 1989 e 1990, e 33%, de 2007 para 2008.

O professor recomenda ao Serviço Nacional de Saúde (NHS, na sigla em inglês) outras alternativas de alívio à dor como ioga, massagem e tratamentos em piscinas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que apenas 15% dos partos sejam realizados com intervenção cirúrgica – porcentagem referente aos partos de risco, aqueles em que a cesárea é indispensável. A média no Brasil é de 43% de cesarianas e entre as mulheres que utilizam planos de saúde esse índice chega a 80%. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirma que o Brasil é um dos países em que mais se pratica esse tipo de cirurgia.

Devido esses número alarmante, o ministro diz que o Sistema Único de Saúde (SUS) estuda como remunerar melhor os médicos pelo parto normal, para que o fator econômico não seja empecilho para esse tipo de procedimento. No SUS, a média de cesáreas é de 26%.

O alto índice de partos realizados com intervenção cirúrgica provoca vários problemas de saúde para a mãe, porque aumenta o risco de hemorragias e infecções. Para os bebês a situação não é diferente. O parto antecipado – como ocorre na maioria das cesarianas – resulta em problemas respiratórios e internação em UTI neonatal.

As infecções causadas pelo parto são a terceira maior causa de morte dos recém-nascidos e elas acontecem muito mais em partos cirúrgicos. Com a cesariana, o bebê é separado da mãe a princípio. Quando o aleitamento é iniciado o mais rápido possível, aumenta as defesas da criança e diminui o risco de diarréia, que é uma das causas também destacadas de óbito.