A criança tirana

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Eu fico entusiasmada ao pensar que quando for avó, tudo será mais fácil, já que poderei amar e desfrutar dos meus netos, sem a carga de ser eu a responsável pela sua educação (ainda que alguns conselhos ou recomendações saiam da minha boca). Como pais, nós temos um papel importantíssimo para cumprir, uma vez que as crianças não podem e nem sabem educar a si mesmas. 

É lamentável chegar numa situação em que nosso filho ao invés de ser aquele príncipe encantador que reina em nossos corações, se torne numa criança mal educada, que governa nossas vidas com tirania, que nos maltrata verbalmente, que nos chantageia emocionalmente e que cada vez mais se afasta da gente porque não exercemos nenhuma autoridade sobre ele, e tão pouco despertamos seus afetos porque não tem respeito algum com a gente

Quando os pais não exercem autoridade sobre os filhos

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A criança tirana é aquela que se mostra caprichosa, que tem uma baixa tolerância à frustração, que intimida seus pais com ataques de fúria em público e ameaças quando não consegue o que deseja (seja ou não conveniente para ela). Suas demandas são constantes, sua desobediência absoluta, e não para de nos desafiar para saber até onde estamos dispostos a ceder.

O melhor mesmo é resolver o quanto antes essas condutas, e, de maneira nenhuma nos deixar levar por uma permissividade excessiva com nossos filhos. Está muito claro que para oferecer uma boa educação aos nossos filhos, alguém tem que pilotar o barco da nossa família, que sem dúvida são os pais. Não devemos confundir autoridade com autoritarismo.

Exercer sabiamente a autoridade com nosso filho é fundamental, já que a autoridade não é algo impulsivo, nem de poder desmedido. Não se trata do pai em um pedestal de onipotência, nem o exercício de um poder desmedido ou de repressão com relação aos nossos filhos. A autoridade implica para os pais numa tarefa árdua e penosa. É maturidade e responsabilidade (sem descanso nem finais de semana ou férias) para fazer do nosso filho um indivíduo melhor possível, sem abandonar por isso, o nosso afeto, aproximação e confiança nele. 

O exercício da autoridade natural do pai com os filhos não está na direção oposta do amor e do carinho, comunicação e no desfrutar com eles da paternidade. Minha sogra me disse certa vez: “eu nunca me considerei amiga dos meus filhos, sempre fui sua mãe”. 

Com isso, não quero dizer que ela não tenha demonstrado seu amor, porque amava muito aos seus filhos, mas exercia o seu papel de educadora e não de uma “igual” ou amiguinha. Parece claro que sem alguns limites claros para cumprir, a sociedade afundaria e os pequenos tiranos dominariam tudo. 

Cabe ressaltar que a melhor educação está no exemplo dos pais. As primeiras birras e ataques devem ser severamente repreendidos para que não se repitam. Enganam-se quem acha que os pequenos são inocentes criaturas. Eles sabem desde cedo quem eles podem ou não manipular. Cabe aos pais exercerem a autoridade desde cedo através de rotinas muito bem estabelecidas na casa. 

Patro Gabaldón

Redatora de GuiaInfantil.com