O medo das crianças e as influências externas

Quando os medos são um problema para as crianças. Entrevista com a psicóloga Silvia Álava

Vilma Medina

Vilma Medina

Como os pais podem evitar que os filhos tenham medo? Quando se considera que os medos das crianças são um problema? Como os meios de comunicação influenciam na aquisição dos medos das crianças? 

A psicóloga Silvia Álava, especialista em Psicologia Infantil, nos explica quando os medos das crianças são um motivo de preocupação e como podemos ajudá-las a superar.

As influências externas nos medos das crianças

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O que influencia na aquisição dos medos das crianças? 

Temos que ter muito cuidado com o que os nossos filhos vêem. A gente pode considerar que um determinado filme ou desenho são aptos para as crianças, porque indicam que são para a sua idade. No entanto, logo aparecem crianças que ao verem determinado monstro ou vampiro nos desenhos ou filmes que ficam com muito medo e insegurança. Os pais não podem se esquecer que quando são pequenos, fica muito difícil para eles distinguir entre a ficção e a realidade, assim que, cuidado com que o seu filho assiste. A classificação do filme não deve ser o parâmetro do que o seu filho assiste ou não, mas a percepção e sensibilidade dos pais. 

Quais outros aspectos a gente deve cuidar também falando de medos? 

Cuidado também com os comentários que ouvem. Acontece que ouvimos que não sei quem foi assaltado e comentamos dizendo: ‘Nossa que coisa chata! Entraram na casa do vizinho’. E a gente se dá conta que tem uma criança com uma autêntica cara de terror pensando... ‘Se entraram na casa desse senhor, podem entrar também na minha’. Esses detalhes habituais podem gerar muito medo ao que ‘pode acontecer algo comigo’. 

Os monstros, os vampiros... Estão na moda, tanto no cinema como na televisão. Até que ponto pode criar ou piorar o medo nas crianças? 

Hoje em dia está muito na moda monstros, vampiros, jogos de magia, magos, demônios que voam... Cuidado, porque existem crianças que podem ter maturidade suficiente para vê-los, e não acontece nada e isso não vai gerar nenhum medo, mas outras crianças na mesma situação e com mensagens desse tipo, e, sobretudo com mensagens visuais, podem gerar medos. Cada criança é um mundo e um caso a parte. 

Quando se pode considerar que os medos nas crianças são um problema?

Existem etapas em que evolutivamente falando, é normal ter medo, mas se começarmos a ver que a criança deixa de fazer determinadas coisas, que o seu nível de angústia ou de ansiedade já começa a ser muito elevado, que por mais que eu me chateie e lhe diga: ‘Você tem que dormir sozinho no seu quarto’, a gente vê que realmente ela não pode porque realmente terrivelmente abalada ou esteja completamente bloqueada, temos que nos atentar que alguma coisa mais grave está acontecendo. Os medos não teriam que interferir na vida cotidiana nem tem que impedir que a criança se desenvolva com absoluta normalidade.

O que os adultos nunca devem fazer quando uma criança tem medo? 

O que nunca um adulto deve fazer quando a criança sentir medo é transmitir-lhe uma sensação de insegurança e de preocupação, e nunca rir ou duvidar do que a criança está sentindo. Quando a criança tem muito medo, ela não sabe como enfrentar essa situação. Quando começam a ser um pouco maiores, existe toda uma série de idéias irracionais que estão na sua cabeça e que estão retroalimentando o medo. Sua principal fonte de segurança e de confiança geralmente são os adultos de referência, seu pai e sua mãe. Os pais devem acolhê-la com muito amor e tranquilidade, sempre transmitindo muita segurança e conforto.

Quando uma criança necessita de uma ajuda profissional por causa do medo? Onde está o limite? 

As crianças com muito medo ficam completamente pálidas, começam com taquicardias, ficam paralisadas, e passam mal. Quando virmos que ela não consegue enfrentar o medo, convém levar a criança a um especialista, sobretudo porque existe uma coisa que convém destacar, que os medos são expansivos.

Marisol Nuevo

Redatora de Guiainfantil.com

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