Os problemas de comportamento das crianças adotadas

Quando a criança adotada não tem uma boa conduta social

Vilma Medina Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Quando acontece uma adoção, sempre existe uma história por trás em que a criança foi arrancada da sua família ou de um centro e entregue a pais que têm seus próprios costumes e formas de fazer as coisas. Isso faz com que os pais esperem que o seu filho se adapte logo à sua forma de proceder que para eles é normal, mas o que a criança pensa?

Sabemos que realmente não se presta muita atenção ao que a criança adotada possa pensar e isso faz com que surjam conflitos porque diante de um comportamento em que a criança nos expõe, a gente se limita a brigar e a tratar de cortar a situação, mas poucas vezes a gente para e pensa na origem ou no significado que tem para a criança. 

Por que o filho adotado pode ter problemas de comportamento

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O problema não é como você possa explicar-lhe a sua forma de fazer as coisas, mas porque não sabe quase nada da sua história anterior, e isso vai te impedir de predizer e entender certos comportamentos que podem te deixar sem palavras porque, ou não está esperando ou estão fora do seu contexto e você não sabe como manejá-los: brigas para entrar em uma piscina, birras e choros antes de entrar na sala do médico, roubos de comida na casa de familiares... Mas, por que a criança faz isso?

Você sabe se na casa da criança havia água corrente? Então como ela vai entender que para você, o banho diário é imprescindível? Você sabe se o seu filho sofreu algum tipo de abuso? Então como vai entender que o médico, esse senhor desconhecido com jaleco branco, não vai causar danos a ele quando enfia uma palheta na garganta da criança ou toca na sua barriga? Uma vez que a gente se situa sobre o seu mundo é muito mais fácil que entendamos o porquê de alguns comportamentos que não são desejados nem compreendidos na nossa sociedade. 

6 conselhos para educar crianças adotadas com problemas de comportamento 

1. Proteja: Se você vir que a criança está tendo um comportamento ‘fora do normal’, pegue o seu rilho e afaste-o o quanto antes dos olhares curiosos. Com tranquilidade, e sem ficar nervoso ou nervosa, sempre com carinho e naturalidade, mas com firmeza. Você deve evitar que as pessoas murmurem ou apontem para ela. Pense que é muito provável que o seu filho não entenda o que está fazendo de ruim, mas vivemos em uma sociedade que não está preparada para certas coisas, que é intolerante e que desfrutam criticando os outros. Se o seu filho é adotado, isso já o torna diferente e para muitas pessoas vai ser a razão perfeita para focalizar a sua atenção nele. 

2. Não julgue. Partimos de que a criança não conheça as normas de comportamento e sociais do seu meio e se apega ao que ela sabe fazer, porque, entre outras coisas, lhe dá segurança em um espaço onde tudo é novo para ela. 

3. Não grite e não brigue com ela na frente dos outros: Mude o centro da sua atenção e tranquilize-a. Espere que ela esteja em um lugar, a sós e calma, para poder falar com ela sobre o assunto. 

4. Trate de compreender: Pergunte a ela porque está fazendo isso, onde aprendeu, mas não a force a nada. 

5. Explique a ela as normas sociais: Faça-a entender que certos comportamentos não são bem vistos, e que não se podem fazer algumas coisas em certos lugares, e a importância de fazê-los bem. Você pode estabelecer com a criança um lugar, um momento, em que possa agir de determinada forma para que não se sinta censurada. 

6. Respeite a sua intimidade: Não conte às outras pessoas o que ela fez, ou como ela se comportou na frente dela para não constrangê-la. Ela tem que saber que pode confiar em você

Ana María Linares

Psicóloga especializada em adoções

Colaboradora de Guiainfantil.com