Ausência do pai na vida dos filhos

Quando o pai está ausente no dia a dia das crianças

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Papai existe, mas não está presente. Talvez viaje muito ou trabalha muitas horas ou vive em outra casa ou outro país; ou partiu sem dar sinais de vida. Talvez seja um homem pouco valorizado pela mãe da criança ou pela sociedade. Em alguns casos o pai é desconhecido, em outros foi um amor passageiro da mãe. Em alguns casos a criança está sem pai porque ele já faleceu.

Como explicar à criança a ausência do pai

Quando o pai está ausente da vida dos filhos

Um pai pode estar ausente de várias maneiras. Mas a ausência do pai não é o mesmo que inexistência. Um filho é sempre o produto de um homem e uma mulher, mesmo que um deles esteja ausente, desaparecido ou morto. Muitas mães, por escolha própria, já durante a gravidez nem pensa em aceitar o nome do pai no seu filho, e como consequência vai gerar na criança uma distorção da realidade, perniciosa para a estrutura mental da criança (ou seja, da presença de um homem e de uma mulher na sua vida). A nenhum filho se deve dizer “você não tem pai” porque isso distorce a natureza das coisas.

1. Em famílias nas quais o pai se ausenta com frequência, mas convive com a família: “Seu pai não está em casa, mas está na nossa mente e no nosso coração, e eu sei o que passa pela cabeça dele. Quando ele voltar você vai ver que eu não estou mentindo. Papai tem saudades de você e te ama”.

2. Após um divórcio: "Ainda que seu pai não seja mais meu marido, suas palavras quanto à sua educação continuam tendo peso para mim” ou ainda “seu pai e eu pensamos diferente quanto a esse assunto, eu vou dar minha opinião e você vai escutar a opinião dele também”. Se as versões de ambos os pais são irreconciliáveis, se recorrerá a terceiros. Causa dano psicológico para a criança dizer-lhe “seu papai não conta, você só tem a mim”. Em muitos casos quem vai decidir isso é um juiz.

3. Se o pai já morreu: "as palavras e os valores do seu papai continuam vivas pra gente, eu lembro muito bem das coisas que eram muito importantes para ele como pai”.

4. Quando o pai é desconhecido: "você tem um pai, senão não teria nascido, mas ele participou da sua gestação”, ou segundo caso: “eu sabia que seu pai não ia viver com a gente, mas eu escolhi ter você e te criar apesar disso”. 

O que deve ser levado em conta é que uma criança não deve se sentir jamais que é uma propriedade da sua mãe ou do seu pai. Quando é a mãe que desaparece da sua vida, ninguém deve falar para a criança “eu sou seu dono, faço o que quero com você”. 

Uma mãe, por mais desprezo e ressentimento que tenha pelo pai do seu filho, não tem direito de excluí-lo da vida da criança. Pode ser que o pai seja um alcoólatra, um criminoso, ou como queira julgar, mas ele faz parte da história dessa criança. Ser mãe é aceitar que a criança é também filha de um pai.