A epilepsia na infância

26 de março, Dia Mundial da Conscientização pela Epilepsia

Vilma Medina Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

A epilepsia é uma das doenças do sistema nervoso conhecida há mais tempo na história da humanidade. Cerca de 3.000 anos a.C. já era representada em papiros, mas até hoje ainda carrega um série de mitos e estigmas em torno de suas crises e do seu diagnóstico.

Laura Guilhoto, Presidente da Associação Brasileira de Epilepsia e responsável pelo ambulatório de epilepsia na infância da Unidade de Pesquisa e Terapia da Epilepsia da Unifesp, explica que a doença é ainda mais frequente nas crianças e nos idosos pela vulnerabilidade cerebral nessa faixa etária. Por isso, é muito importante que os pais tenham conhecimento de seus sintomas – que nem sempre são manifestados por crises convulsivas – e saibam com lidar com as crianças caso elas venham desenvolver a epilepsia. 

Conhecendo a epilepsia

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O diagnóstico de uma doença crônica promove muitas mudanças psicológicas, ainda mais se tratando de uma criança, que ainda está em processo de formação psicossocial. Conhecimentos e cuidados em relação a como agir em um momento de crise e os cuidados especiais com os medicamentos, alimentação e sono devem ser adotados por pais, professores e todo o núcleo familiar expandido. 

Basicamente existem dois tipos de crises epilépticas:

As crises parciais (ou focais) e as crises generalizadas, a segunda mais comum em crianças. A qualquer sinal de suspeita, os pais devem buscar um médico imediatamente:

Crises parciais – neste caso a consciência é preservada total ou parcialmente, podendo desencadear formigamentos, percepção de gostos e cheiros esquisitos e a pessoa pode se apresentar confusa, fazendo gestos automáticos, como de mastigação, ou mesmo o desempenho de tarefas.

Crises generalizadas – são caracterizadas principalmente pelas crises convulsivas e de ausência. As crises convulsivas se evidenciam pela perda da consciência, rigidez muscular, movimentos ritmados do corpo, mordedura de língua, salivação e às vezes liberação de urina. As crises de ausência ocorrem principalmente em crianças e se manifestam por um breve desligamento. A criança interrompe a fala e as atividades por alguns segundos, voltando a seguir a atividade que estava realizando. 

Combatendo o preconceito

No Brasil e no mundo todo, o dia 26 de março é celebrado o Purple Day, Dia Mundial da Conscientização pela Epilepsia. Em um ato simbólico, as pessoas são convidadas a vestir o roxo e ajudar a promover a conscientização e a troca de informações sobre a doença. O roxo foi escolhido como a cor do #PurpleDay por representar o sentimento de solidão em alguns lugares do mundo, algo que pode ser muito comum na vida de uma pessoa com epilepsia.

Para ajudar na campanha este ano e conscientizar os brasileiros sobre a doença a fim de contribuir para o fim do preconceito, foram criados os canais Conviva com Epilepsia no Facebook e Instagram. O objetivo é dialogar principalmente com pessoas que pouco sabem sobre Epilepsia e contribuir para a troca de experiências com quem convive diariamente com a doença. 

Julia Furquim

Colaboração: Doutora Laura Guilhoto, Presidente da Associação Brasileira de Epilepsia