Benefícios das terapias com animais para crianças com deficiência

Vantagens de trabalhar com golfinhos, cavalos e cachorros para crianças com deficiência

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

É comum se falar que o cachorro é o melhor amigo do homem. Mas vamos um pouco mais além. Alguns animais podem se tornar terapeutas reabilitadores, e por que não em excelentes assistentes para crianças com deficiência.

Já é de conhecimento geral, que animais como cavalo e golfinhos são muito úteis na terapêutica com crianças com paralisia cerebral, autismo e síndrome de Down. A terapia com esses animais são muito favoráveis tanto a nível psíquico, físico e social para as crianças.

Terapias com golfinhos, cavalos e cachorros para crianças com deficiência

Numerosos estudos tem demonstrado que os sons emitidos pelos golfinhos vão mais além da comunicação oral. Eles penetram no mais profundo das conexões neuronais, gerando uma mudança nelas, contribuindo assim para criar uma alteração significativa a nível físico. Por exemplo, em crianças com paralisia cerebral, elas chegam a mostrar certo relaxamento neuromuscular que facilita e melhora a execução de movimentos.

O mesmo ocorre com a equoterapia, posto que o calor que desprende do cavalo atua como relaxante muscular. A vibração das galopadas também modifica as conexões neuromusculares variando padrões posturais, melhorando o movimento seja em situação de hipertonia ou hipotonia. Essa complexa terapia no nível de reabilitação se torna em um jogo motivador para as crianças, pois é gerado um vínculo interativo entre o cavalo e a criança, comunicação não verbal que beneficia habilidades sociais nas crianças com autismo ou até como atraso mental.  

Nesse sentido, a interação com os cavalos ou com os cachorros para as crianças com autismo, significa uma melhora de habilidades sociais ainda que no princípio pareça contraditório, pela ausência da comunicação oral. A brincadeira de uma criança autista com um cachorro, a ajuda em sua base social, já que pode reduzir as consequências da síndrome de espectro autista. Animais como o cachorro ou o cavalo desprendem sentidos emocionais inatos como a emoção, alegria ou tristeza, e essas habilidades sociais são carentes nessas crianças. Isso é o que mais favorece a execução de terapias com animais para elas.

Ainda que nesse aspecto seja uma terapia a nível inter-relacional, as crianças necessitam de técnicas profissionais, pois para elas é uma brincadeira que as beneficia emocionalmente. A brincadeira inocente entre a criança e o cachorro está gerando um laço de amizade que melhorará suas habilidades sociais. O contato e a interação com o animal ajuda a criança autista a conhecer emoções e em certo grau, poder transmiti-las.

Mas os benefícios dos animais domésticos não ficam somente na reabilitação física ou cognitiva, mas podem favorecer a autonomia de crianças com alguma deficiência física, seja cerebral ou neuromuscular. O cachorro acaba se tornando num assistente pessoal, realizando atividades básicas como abrir uma porta ou pegar uma chave, atividades que não são executadas por algumas crianças com deficiência.

Dessa maneira, o cachorro, além do papel de agente reabilitador, também se torna num amigo da criança com deficiência, melhorando sua qualidade de vida. 

Vanessa Fuentes
Psicóloga clínica e social