Cuidado com o ‘hackeio’ das câmeras de vigilância dos bebês

Vilma Medina Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

A voz de alarme chegou com o caso de um pequeno de três anos que se queixava de ouvir vozes durante a noite. Ocorreu no Brasil. Seus pais no início pensaram que era típico medo infantil do escuro e um pouco de imaginação do seu filho. Mas, a criança insistia. Os pais investigaram e efetivamente escutaram uma voz masculina no quarto do pequeno. 

A voz vinha da câmera de segurança que tinham instalado no quarto infantil. Um hacker tinha ‘invadido’ ela e a controlava por controle remoto. A imagem do seu filho podia estar nesses momentos dando a volta ao mundo pela internet. 

As câmeras de vigilância de bebês podem ser hackeadas

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Não é um caso isolado. Nos Estados Unidos já têm acontecido milhares de denúncias por essa mesma situação. As câmeras IP, que funcionam mediante wi-fi e estão conectadas a smartphones e tablets podem ser invadidas por um hacker, mediante um procedimento que se conhece como creepware. Mas, como o fazem? 

O creepware é um programa de software bastante econômico (não custa mais do que 30 euros - R$ 135,00). Serve como ‘elemento espião’. Permite ao hacker se introduzir numa webcam ou num aparelho com IP (Protocolo de Internet), aberto a smartphones e tablets. Não funcionam com câmeras de vigilância de circuito fechado, somente as que se manejam com IP. Desde sua posição e graças a este programa o hacker pode controlar outro aparelho eletrônico de forma remota, como a câmera de vigilância de um bebê e capturar fotos e imagens e adquiri-las. 

Ou seja, o seu bebê pode ser observado e fotografado por desconhecidos. E o desconhecido em questão pode postar fotos e vídeos do seu filho na Internet, e outras imagens mais íntimas do pai ou da mãe no quarto da criança, uma vez que não têm conhecimento do que possa estar ocorrendo. 

Muitos se perguntarão como se pode vender um elemento espião. Não deveria ser ilegal? A resposta é que este tipo de programa é vendido de forma ilegal. Aproveitam outro tipo de descrição para passar por programas totalmente legais. Por exemplo, alguns deles se vendem como ‘ferramenta de administração remota’. E ninguém pode lhe dizer nada por comprar um programa que lhe permita administrar todos os aparelhos do seu lar de forma remota, não? 

Como evitar que um hacker entre na câmera de vigilância do seu bebê

A grande pergunta é... Como podemos evitar isso? Muitas pessoas, ao ficar sabendo desse perigo tapam com fita adesiva tanto a webcam como as câmeras de vigilância. Mas, então, que sentido tem em tê-las?  

Foram criados acessórios que funcionam como imãs para tapar a câmera. Implicam num obstáculo maior para o hacker, mas não é completamente eficaz. 

Tão pouco você pode confiar na luz que se acende quando a webcam começa a funcionar. Esta luz também se pode desativar por controle remoto. 

Os especialistas recomendam: 

- Atualizar constantemente o software do aparelho IP que você utiliza. 

- Não clique em links em redes sociais, mensagens e correios eletrônicos do celular (se você tem conectado o smartphone com a câmera de vigilância, através dali também podem invadi-la). 

- Trocar as senhas importantes uma vez por mês.

- Não baixar (download) programas da web que sejam suspeitos e ter um bom antivírus. 

E se mesmo assim você não se sentir seguro é deixar a câmera de lado e vigiar você mesmo, afinal não existe melhor vigilância do que a sua. Estar atento para qualquer ruído estranho que detectar e denunciá-lo. 

Estefanía Esteban

Redatora de GuiaInfantil.com