NÃO ao abuso sexual infantil

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

O abuso sexual infantil é uma das grandes preocupações dos pais nesse início de século. E não é para menos. Todos os dias, mais e mais casos de abuso sexual contra meninos e meninas são descobertos. Abusos por parte dos pais, familiares, conhecidos, vizinhos, educadores, babás, psicólogos, enfim, das pessoas que menos esperamos. Integrantes de ONGs que fazem trabalhos humanitários nos alertam a estarmos sempre de olhos bem abertos e sensíveis às atitudes dos nossos pequenos. Os casos aumentam, ainda que existam iniciativas respeitáveis que trabalham na prevenção e na solução desse grande problema.

Profissionais, pais, avós, e vítimas de abuso sexual, argentinos, estão reunidos numa nova página web para informar, esclarecer, orientar e lutar contra o abuso sexual infantil. Sob a direção de Mónica Laura Creus Ureta, eles advertem aos pais, educadores e familiares que as crianças não mentem, não fantasiam, nem exageram quando contam que sofreram abusos. 

Há pouco tempo, a ONG britânica Save the Children (Salve as Crianças) denunciou através de um estudo, que crianças e adolescentes na Costa do Marfim, sul do Sudão e Haiti, estão sendo vítimas de abusos sexuais por parte de integrantes de forças de paz e de trabalhadores de entidades humanitárias. Eles submetem a violações, prostituição e escravidão sexual, sem que possam se defender. Mas os abusos não têm nacionalidade. E o grande problema não é somente o abuso em si, como também a falta de apoio a essas crianças, vítimas caladas, imersas num sentimento de culpa e vergonha, sem sentido. 

No Brasil, saiba a quem recorrer em caso de suspeita de violência sexual infanto-juvenil:

Conselhos Tutelares – Foram criados para zelar pelo cumprimento dos direitos das crianças e adolescentes. A eles cabe receber a notificação e analisar a procedência de cada caso, visitando as famílias. Se for confirmado o fato, o Conselho deve levar a situação ao conhecimento do Ministério Público.

Varas da Infância e da Juventude – Em município onde não há Conselhos Tutelares, as Varas da Infância e da Juventude podem receber as denúncias. 

Outros órgãos que também estão preparados para ajudar são as Delegacias de Proteção à Criança e ao Adolescente e as Delegacias da Mulher.

Ou ainda o DISQUE 100. O Serviço do Disque Denúncia Nacional de Abuso e Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes é coordenado e executado pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. Através do Disque 100, o usuário pode denunciar violências contra crianças e adolescentes, colher informações acerca do paradeiro de crianças e adolescentes desaparecidos, tráfico de pessoas – independentemente da idade da vítima – e obter informações sobre os Conselhos Tutelares.

O serviço funciona diariamente de 8h às 22h, inclusive nos finais de semana e feriados. As denúncias recebidas são analisadas e encaminhadas aos órgãos de defesa e responsabilização, conforme a competência, num prazo de 24h. A identidade do denunciante é mantida em absoluto sigilo.

É preciso falar abertamente sobre o abuso sexual infantil para que deixe de ser um tema tabu na sociedade, para que todos estejam preparados para detectar algum caso e denunciá-lo imediatamente, e assim proteger as crianças. Não se deve bater nas crianças, ou fazer-lhes ameaças ou até mesmo humilhá-las. O abuso destroça laços entre pais e filhos e causa danos terríveis nas crianças, prejudica sua autoestima e sua aprendizagem, além de incentivar a raiva e a impotência. A violência contra elas destrói a autoconfiança e seu amor próprio. Os corpos das crianças não estão e nem devem ser submetidos à vontade dos adultos. Seus corpos são seus e de ninguém mais.