O egoísmo das crianças

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

As crianças, especialmente os que têm entre 3 e 7 anos de idade, sempre apresentam comportamentos semelhantes. Como é difícil ensiná-las a compartilhar seus pertences e que se dêem conta de que nem tudo é seu. Gritos de guerra como: “mamãe, João pegou a minha boneca!” ou “Mamãe, Clara não para de usar minhas canetas coloridas”, desgastam a paciência dos pais e podem destruir a harmonia entre os irmãos e os amigos. Palavrinhas como eu, meu, minha, comigo, sempre se repetem. Quando se podem controlar esses impulsos nas crianças? 

Como ensinar as crianças a compartilhar

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Com certeza você já experimentou ver como o seu filho carregou um monte de brinquedos preferidos ao parque, e ali ficaram jogados espalhados na areia (completamente abandonados), a bola, o carrinho, a bicicleta, as peças de montar, e o seu pequeno passou a brincar pela sua própria vontade, a poucos passos dali, com os brinquedos do vizinho, enquanto vigia com o rabo de olho que absolutamente ninguém se aproxime do templo das suas possessões, e se assim ocorresse correria para puxar as orelhas, ou dar um tapa, tirando o brinquedo das mãos da outra criança atrevida. E os pais ficariam morrendo de vergonha. 

Meu Deus! Neste momento você se pergunta onde ficam as repetidas ocasiões em que você animou seu filho a compartilhar, a ser generoso, a não estar apegado às coisas materiais, a não ser egoísta, a pensar nos outros, a ajudar aos que nada têm. Não sei se é para me consolar, mas eu gosto de pensar que este egoísmo deva fazer parte importante do desenvolvimento da sua personalidade; da mesma forma que é importante para ele ter suas necessidades satisfeitas, pertencer a uma família, pensar que sua mamãe e o seu papai vão cuidar sempre dele, assim também os seus objetos são importantes para ele, já que os apreciam e se identificam com eles; por isso, são capazes de defendê-los com unhas e dentes, pouco se importando com quem esteja ao seu redor. 

Com o tempo, e com a nossa dedicação e paciência, aprenderão a estabelecer fronteiras e essas fronteiras irão se estendendo aos outros, à medida que aprendam valores como a renúncia e aceitação daqueles que o rodeiam. Enquanto isso, só nos resta esperar, corrigir com alegria, e pensar que o nosso esforço de educá-los na generosidade dará seus frutos no futuro.