As mentiras de uma mãe

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Convém não repetir com frequência para que as crianças, que são muito espertas, não duvidem da sua veracidade. Essas mentirinhas próprias dos pais têm uma finalidade: proteger os filhos ou para que nos obedeçam. Algumas das mentiras mais comuns de uma mãe são: ‘se você me contar eu não te castigo’ ou ‘levanta porque já são nove horas’. Você se identifica? 

Mentiras e falsas verdades dos pais

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Com certeza, como eu, alguma vez você já se sentiu obrigada a contar aos seus filhos alguma mentira com boa intenção para conseguir que eles se apressassem e que fizessem os deveres a tempo. Algumas das mais célebres mentiras das mães são na realidade bons conselhos como: ‘se você se aproxima muito da tela da televisão você vai prejudicar sua visão’, ‘faz muito frio, é bom que você se agasalhe porque vai pegar uma gripe’, ‘deixe de estralar os dedos ou vai pegar uma artrite’, ‘lave bem por trás das orelhas ou vão sair cracas’, ‘se você engolir o chiclete, ele ficará grudado no seu estômago’, ‘se você brinca com sapos e rãs vão te sair verrugas’. 

Mas, as mentiras que dizem papai e mamãe não são todas tão inocentes com essas. Algumas saem diretamente da alma e chegam ao coração. Enternecem por estarem carregadas de amor e generosidade porque a entrega em relação aos filhos, sobretudo em tempos difíceis tem feito muitos pais sacrificarem inclusive sua porção de alimento para entregá-la aos seus filhos. 

Eu nunca poderei me esquecer de uma história que eu li há algum tempo baseada na peripécia vital de uma mãe abnegada e preocupada em se safar diante do seu filho. Ao longo de toda sua vida ela teve que dizer-lhe muitas mentiras que são testemunho de tamanha generosidade que jamais tinha conhecido. Assim, quando o país aonde vivia se recuperava do desastre devastador da guerra civil, homens e mulheres faziam longas filas para conseguir uma pequena porção de alimento. Quando após passar toda a manhã esperando, essa mamãe só tinha conseguido uma pequena porção de pão que ela entregava ao seu filho dizendo: ‘coma você, porque eu não tenho fome’. 

Pouco tempo depois conseguiu ganhar algum dinheiro costurando calças. Para terminar as encomendas e cumprir a tempo os pedidos ela ficava costurando durante a noite a luz de velas e quando o seu filho se despertava ela lhe dizia que ele fosse dormir tranquilo e que não estava cansada. Após a morte do seu marido, ela teve que se desdobrar e assumir o papel e pai e de mãe. Obcecada em dar estudos ao seu filho, sua situação econômica piorou e sua família lhe aconselhou que voltasse a se casar. No entanto, quando o seu filho lhe perguntou se ela o faria, ela lhe respondeu que ‘não precisava de um amor além do seu’. 

E, finalmente já idosa e doente foi diagnosticada com câncer e o seu filho foi vê-la. Ao encontrá-la tão fraca e deitada na cama ele começou a chorar. Vendo as lágrimas nos olhos do seu filho, ela lhe disse: ‘não chore, porque não estou sentindo dor’. 

Marisol Nuevo

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