Que tipo de mãe eu sou

Vilma Medina Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Para começar, que tipo de mãe eu sou? É a pergunta que deveríamos fazer aos nossos pequeninos. Mas, por sorte para muitas mães, os filhos bem pequenos ainda não sabem falar e muito menos entrar em dissertações filosóficas que coloquem a gente em apuros. O caso é que uma mãe de primeira viagem ainda está no estágio de aprendiz, assim que é complicado fazer uma auto-análise e determinar se estamos executando o papel de mãe bem ou mal. Por isso, eu me dedico a observar os diferentes tipos de mães que eu encontro para me assegurar que minha formação na profissão mais exigente do mundo está indo por um bom caminho. 

Tipos de mães: estudada, entusiasta, fashion...

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Por um lado, existe a ‘mamãe estudada’. Esta não se encontra no período de experiência, está fazendo cursos de doutorado em purês, caquinhas, várias doenças do bebê e métodos de sono (ou insônia) infantil. Sabe de tudo porque já leu em diversos volumes sobre estimulação precoce, tem no seu celular muitos programas sofisticados para conhecer até o último detalhe da sua criatura e devora revistas e manuais para impressionar as suas amigas. Falar com ela é como se sentar numa carteira de escola e pegar um lápis e papel, mas tão chato e monótono que falta um pouco de espaço para a imaginação. Como seria enfrentar a primeira diarréia por ela mesma? Não, ela nunca vive tão ao limite. 

Outro grande exemplo que encontrei ultimamente é o da ‘mamãe entusiasta’. Esta que faz com que você se sinta mal no parque infantil por estar enviando mensagens do celular enquanto o seu pequeno se joga da escorregadeira. Ela, entretanto, está brincando não somente com o seu filho, mas com outras quatro ou cinco crianças que provavelmente tenha conhecido pela primeira vez.  Ali está ela, com o seu moletom e tênis correndo atrás de todos eles, escondendo-se aqui e acolá, brincando com as crianças de ‘os três porquinhos e o lobo mau’ e olhando para você com cumplicidade, sem saber que, apesar do seu sorriso estúpido, por dentro está pensando: será que sou a pior mãe do mundo porque não finjo que vamos voar pelos ares quando o lobo soprar a casinha de plástico do parque? 

E, por último, está a ‘mamãe fashion’, ou assim é como eu a chamo. A que combina a cor da sua roupa com a sacola do carrinho do bebê, que por sua vez leva o nome do seu filhinho bordado. Essa que usa saltos altíssimos, apesar de ficarem cravados no solo do parque. Essa mãe que não se deixa sujar quando a filhinha quer subir no seu colo ou comer biscoitos sem salpicar o seu blazer ou seus óculos de sol da última moda. Chega à casa da mesma forma como saiu, mas normalmente é porque tenha levado a babá para ao parque para que ela lide com o ‘terremoto’. 

E aqui estamos nós. Se, as que são como eu, que não têm tempo de ler quanto gostaria, nem sobre crianças, nem sobre outras coisas, que tentam se sentir bonitas, ao mesmo tempo que, práticas, e que acima de tudo, valorizam o tempo que passam com os seus filhos como se não houvesse amanhã, mesmo não tendo muita imaginação para inventar seus próprios contos e histórias. 

O melhor de tudo é que, sendo vaidosas, e perguntássemos aos nossos filhos, estou segura que eles diriam que somos a melhor mamãe do mundo!

Belén Galletero

Jornalista 

Colaboradora de GuiaInfantil.com