A expressão ausente das crianças autistas

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Um olhar que olha, mas não vê, um corpo que se move, mas que não controla os movimentos de maneira consciente, uma boca que abre e fecha, mas que não se comunica, um coração que bate, mas que parece que não sente e um cérebro que não organiza a informação. Isso é o que a sua mãe vê em Adrian, um menino de três anos, diagnosticado com autismo

Os problemas sociais, de comunicação e de aprendizagem que as crianças autistas apresentam nem sempre são fáceis dos pais acostumarem. Em muitos casos, a relação que os pais têm com os seus filhos autistas é tão enigmática como a que tem a ciência com o autismo. 

A educação é muito importante para as crianças com autismo

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'Primeiro começou a caminhar nas pontas dos pés, depois a tapar os ouvidos, logo a bater os braços e quando ia pegá-lo na creche, sua monitora me dizia que não brincava com outras crianças’, se lamentava esta mãe, que moveu céus e terra até chegar ao diagnóstico de autismo do seu filho

Um scanner cerebral confirmou o autismo, depois de passar pelos testes de rastreio que ainda utilizam os métodos convencionais de diagnóstico. Movida por essa expressão ausente no rosto do seu filho, esta mamãe iniciou uma intensa corrida de fundo até conseguir que seu filho melhorasse antes dos cinco anos, mas Adrian foi perdendo habilidades, esquecendo instruções e continuava sem falar. 

Conviver com uma criança autista requer paciência e disposição para recorrer a um longo caminho até o entendimento. O Dia Mundial do Autismo nos lembra que no mundo existem mais de cinco milhões de pessoas autistas, que é uma doença que não tem cura e cuja única medicina é a educação, algo que não encontram quando se tornam adultos.

O mais importante é o diagnóstico precoce da doença. Na Espanha, estima-se que uma em cada 150 pessoas sofre de algum Transtorno do Espectro Autista. Segundo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), estima-se que no mundo tenha 70 milhões de pessoas autistas. No Brasil, a estimativa é de 2 milhões. 

Os especialistas afirmam que as pessoas têm uma idéia errada do autismo. Acredita-se que são crianças que vivem em outro mundo, isolados e que não têm afetividade, mas com o trabalho específico, já foi comprovado que são pessoas muito receptivas. Não é que vivem em outro mundo, mas tem dificuldades para entender este. 

Marisol Nuevo

Redatora de Guiainfantil.com