Jogos de computador para tratar a hiperatividade em crianças

Vilma Medina Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

O TDAH ou o Transtorno por Déficit de Atenção com Hiperatividade é um transtorno cada dia mais frequente, já que entre 5% e 10% dos menores de 18 anos o sofrem. Uma vez que a criança tenha sido diagnosticada como hiperativa, o tratamento habitual é mediante medicação, ainda que cada vez mais venha sendo utilizado o uso de terapias, validadas científica e clinicamente para esse tipo de transtorno. 

Recentemente, alguns estudos têm revelado que, em crianças com TDAH, as ondas cerebrais são diferentes que em crianças sem este transtorno. A maioria das crianças com TDAH tem ondas Beta (as que se colocam em funcionamento quando estamos prestando atenção) mais baixas do que o normal, e as ondas Teta (ativas em momentos e relaxamento e sono) muito altas. E se fosse possível treinar o cérebro para mudar esses padrões?

As novas tecnologias ajudam a crianças com TDAH

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Os pesquisadores têm trabalhado em uma ferramenta chamada neurofeedback para o tratamento da hiperatividade em crianças. E você me perguntará: ‘O que é o neurofeedback?’ Trata-se de uma nova tecnologia que estuda a atividade cerebral e na maneira como os neurônios emitem diferentes impulsos nervosos dependendo do que a pessoa estiver fazendo.

Os pesquisadores, baseando-se nesta tecnologia, têm desenvolvido alguns sistemas para poder recolher dados de crianças com TDAH e poder potencializar sua capacidade de atenção e concentração. Trata-se de uns jogos de computador que funcionam da seguinte maneira: a criança se senta na frente de um computador e coloca um bracelete que vai recolhendo sua atividade neuronal.

Este bracelete registra a atenção que a criança está mostrando no jogo e consegue ativar os diferentes elementos do jogo e mover os personagens da tela somente com a sua mente. Em tempo real se pode ver a atenção da criança através de um atrativo e intuitivo software de videogames atual, divertido e colorido que incentiva o aprendizado, a motivação e o autocontrole.

Estes jogos conseguem com que as ondas cerebrais da criança se transformem, por exemplo, em um golfinho no mar, de modo que quando as ondas Beta estão mais altas que as Teta, o golfinho desce para o fundo do oceano e quando ocorre o contrário o golfinho sobe para a superfície. Dessa maneira se sabe quando a criança está atenta e quando não, e ela mesma faz um esforço para manter a atenção.  

Este programa já tem sido aplicado com êxito em meninos. Em poucas sessões conseguem com que as crianças mostrem mudanças reais tanto na atenção como em suas condutas. Estes novos sistemas se apóiam em um terapeuta ou treinador que acompanha a criança e aos pais durante o processo. 

Isto, unido a que a criança se divirta brincando faz com que seja constante e esteja motivada durante todo o processo. O uso do programa se combina com um acompanhamento das condutas em casa e técnicas para a sua modificação obtendo resultados objetivos e muito positivos em curto prazo.

Pablo Muñoz Gacto

Diretor de Nascia e Playattention