Cirurgia plástica em crianças

Novas técnicas utilizadas em cirurgias plásticas

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Devido as novas técnicas utilizadas em cirurgias plásticas, cada dia menos invasivas, a procura de pais por orientação sobre cirurgias plásticas em suas crianças tem crescido a cada dia.

A origem da palavra Plástica vem do grego “plastikós”, que significa dar forma. Neste sentido, cirurgiões são os especializados no remodelamento corporal. Por um desvio de raciocínio, a especialidade foi dicotomizada em “cirurgia estética” e “cirurgia reparadora”.

No caso dos meninos, a mais procurada, é a otoplastia, para corrigir as famosas “orelhas de abano”, visando evitar traumas psicológicos ou problemas físicos na idade adulta. Apelidos na escola e na vizinhança podem causar reações violentas (bullying) e até causar depressão, interferindo no desempenho da criança.

Quando as crianças necessitam de uma cirurgia plástica

Cirurgia plástica nas crianças

Os meninos são mais afetados por usarem os cabelos curtos e deixarem as orelhas à mostra. Por ser de escolha própria, ocorre com tranquilidade, pouca dor e a recuperação é muito rápida. Pode ser feita com anestesia local ou geral, e o único cuidado especial é usar faixas protetoras para dormir.

Em recém-nascidos e até os seis meses de idade – quando a orelha de abano for bastante perceptível – pode-se fazer uma modelagem bem simples, com gaze, gesso, algodão, cola especial e bandagem cirúrgica, como prevenção a uma eventual cirurgia futura.

Os adolescentes representam cerca de 13% do total de cirurgias estéticas no Brasil, segundo a SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica).

As queimaduras se constituem no segundo campo principal de atuação da cirurgia plástica em crianças, já que a ocorrência de acidentes, especialmente domésticos, provocam lesões mais ou menos graves, tanto quanto à vida quanto às deformidades que podem ficar como seqüelas dessas lesões.

Dentre as principais deformidades congênitas ligadas à Cirurgia Plástica, apresentamos algumas, com respectivas características e época ideal de tratamento:

Riscos da Cirurgia Plástica na infancia

Fissuras labiais e palatinas. Também chamadas de lábio leporino (leporino = semelhante à lebre, já que coelhos têm o lábio naturalmente fendido) e goela de lobo, que é a abertura maior ou menor no céu da boca.

Essas patologias devem ser avaliadas precocemente pelos especialista, de preferência logo após o nascimento, para se estabelecer um programa de tratamento que inclui, não só a cirurgia mas a utilização de próteses que previnem o agravamento das deformidades. Geralmente se opera a fissura labial entre 30 dias e 3 meses e a fissura palatina entre 6 meses e 1 ano.

Mesmo que a pessoa já tenha passado desta idade, a procura por tratamento deve ser imediata.

Microtia ou agenesia de orelha. É a ausência parcial ou total do pavilhão auricular. Quase sempre ocorre somente de um lado.

O tratamento se inicia geralmente aos 5 anos de idade, quando já houve o completo desenvolvimento da orelha. Pode ser feito através do uso de enxertos de cartilagem retirado das costelas ou com próteses de silicone. Alguns cirurgiões condenam o uso dessas próteses porém quando se sabe utilizá-las, dão excelentes resultados sem necessidade de se fazer uma cirurgia bem maior e mais complexa, como é a retirada de enxerto cartilaginoso. Por vezes necessita-se de mais de uma cirurgia para se obter o melhor resultado.

Epicanto. É uma prega que se forma no canto interno dos olhos, às vezes reduzindo sensivelmente o campo visual da criança. Pode estar ligado a problemas mentais, necessitando por isso de uma boa avaliação neurológica. A cirurgia pode ser feita bem precocemente, mas o ideal é que se faça em torno dos três anos de idade, quando o desenvolvimento da criança permite um ato operatório mais tranqüilo e seguro.

Hipospádia. É uma deformidade do pênis que pode levar até mesmo à confusão no estabelecimento do sexo do recém nascido, se o defeito for muito acentuado. Ele se caracteriza por uma curvatura do pênis para baixo e a abertura do meato urinário no corpo do pênis e não na sua extremidade. Em casos muito graves, a abertura pode se dar até mesmo na bolsa testicular (escroto), produzindo maior confusão na determinação do sexo da criança.

O tratamento cirúrgico, que será feito em diversas etapas, deve se iniciar em torno dos três anos de idade, evitando-se graves problemas na área sexual, para a criança. Tratada corretamente, a hipospádia não deverá comprometer a vida sexual do paciente, na idade adulta. Contudo é indispensável sua correta avaliação hormonal que poderá apresentar alterações.

Sindactilia e Polidactilia. São deformidades dos dedos das mãos ou dos pés, caracterizadas, a primeira pela falta de separação dos dedos, podendo ser de dois ou mais. Comumente é só de dois dedos. E a segunda, a polidactilia, pela presença de dedos extranumerários na mesma mão ou pé.

O tratamento deve ser realizado após um ano de idade, sendo que no caso de polidactilia é muito importante estabelecer-se qual é o dedo melhor formado, evitando-se remover aquele aparentemente em excesso, mas que pode ser exatamente o que irá apresentar melhor função.

Nevus. São as pintas, que podem ser pequenas, mas também gigantes, por vezes tomando conta de todo o tórax, dorso e abdômen da criança. E às vezes grande partes dos membros. Essas lesões, quando pequenas são facilmente tratáveis. Quando gigantes, exigem um grande número de intervenções para remoções parceladas - já que a retirada total pode deixar graves seqüelas. Com o surgimento das próteses expansoras de tecidos, consegue-se fazer amplas remoções em um só tempo cirúrgico.