Por que algumas mulheres não produzem leite materno suficiente

Quais são as causas da hipogalactia entre as mães lactantes

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

A produção insuficiente de leite materno se denomina hipogalactia, e ainda que ouçamos com frequência muitas mulheres dizerem que o seu aleitamento fracassou porque ‘não tinha leite suficiente’ é uma alteração que acontece numa porcentagem muito baixa de mães. 

A hipogalactia é aquela situação em que a mulher não é capaz de produzir leite suficiente para satisfazer as necessidades nutricionais do seu bebê de maneira exclusiva, e é necessário complementar com a mamadeira. 

Causas da hipogalactia relacionadas com a anatomia da mama

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- Cirurgia de redução da mama: há vezes em que de maneira secundária à redução do peito se elimina parte da glândula mamária. Nesses casos a produção de leite pode ser comprometida e temos que recorrer a uma alimentação mista

- Mastectomia unilateral: naqueles casos em que se realiza a amputação de um peito. Pode acontecer que a mãe não produza leite suficiente com somente um peito para cobrir as necessidades do bebê. No entanto, há muitos casos em que a mãe alimenta ao seu filho com somente uma mama. É verdade que requerem muito apoio por parte do seu meio e de profissionais de saúde competentes. 

- Hipoplasia mamaria: é uma alteração em que existe uma ausência de tecido mamário. Os peitos têm um tamanho normal, mas uma morfologia característica e o volume mamário encontra-se significantemente reduzido. Podem ser peitos muito separados entre eles, de forma tubular e podem apresentar diferenças evidentes entre o tamanho entre um e outro peito. No entanto, somente mediante a  evolução do pós-parto, o aumento do peso do bebê durante os primeiros dias vai determinar a necessidade de suplemento. 

Causas da hipogalactia devido a uma doença materna 

- Alterações da glândula tireóide: especialmente é o hipotireoidismo o que pode se associar a alterações de produção de leite, ainda que qualquer alteração da glândula tireóide pode produzi-la (hipotireoidismo, hipertireoidismo ou tireoidite). É por isso que diante de qualquer alteração na produção de leite se deve realizar um estudo da função tireoidiana. 

- Alterações no índice de massa corporal: seja obesidade mórbida como baixo peso (anorexia nervosa). As primeiras podem ter um atraso na subida do leite, enquanto que o baixo peso pode apresentar uma alteração na formação da glândula mamária.  

- O diabetes materno ou inclusive o gestacional pode induzir o atraso na subida do leite. Da mesma forma que as mulheres com obesidade se recomendam muito contato pele a pele. 

- Mastite: depois de uma infecção pode baixar a produção durante alguns dias até que a inflamação diminua e se restabeleça a função do peito. 

- Síndrome do ovário policístico: essas mulheres têm várias manifestações clínicas como hirsutismo, menstruações dolorosas, alterações na ovulação e também alterações nos receptores da prolactina. No entanto, não é indicativo de problemas durante o aleitamento. Estima-se que um terço das mulheres terá uma produção normal e 3% hipogalactia.

Causas da falta de leite materno devido ao parto

- Cesárea: as cesáreas urgentes produzem muita ansiedade à mãe, enquanto que as programadas sem que a mulher chegue a se colocar em parto implicam duas situações em que pode se ver afetado o início do aleitamento. Também nesses casos o contato pele a pele com o bebê, a estimulação com a bomba de leite ou manual e a suplementação do bebê, se for necessário, são chaves para estabilizar a situação. O medo e o estresse excessivo podem inibir a produção, e no caso das cirurgias programadas ao demorar o processo do parto, o corpo não está preparado para o início do aleitamento. 

- Retenção da placenta: fisiologicamente, a produção de leite se inicia quando a placenta se desprende do útero. Caso fique algum resto pode ser que a cascata hormonal necessária para que se ponham tudo em andamento se detenha. Pode chegar a produzir colostro, mas não leite de transição.  

- Síndrome de Sheehan: devido a uma hemorragia massiva durante o trabalho de parto/cesárea que produz a falta de irrigação na glândula pituitária, que controla os hormônios que estão relacionados com o aleitamento materno. É uma situação excepcional, que pode chegar inclusive a fazer com que a produção de leite seja inexistente. 

Na maioria dos casos a hipogalactia não é facilmente reversível, mas com a ajuda de especialistas em aleitamento materno e, às vezes, de alguns medicamentos, será possível chegar a paliar a hipogalactia e conseguir um aleitamento materno exclusivo em alguns casos ou a estabelecer um aleitamento misto em outros. 

Sara Cañamero de León

Matrona