Como educar a criança que morde

Conselhos educativos para evitar que as crianças mordam

Vilma Medina

Vilma Medina

Proibir a uma criança certas condutas não implica que aprenda qual é o comportamento adequado. Como educar a criança que morde? No caso dos bebês ou crianças que mordem seus amiguinhos ou companheiros na escola, a criança só sabe que morder não é certo, mas desconhece qual é o comportamento adequado para conseguir o que deseja. 

Às crianças devem servir-lhes de exemplo e mostrar-lhes novas formas de relações (utilizar a linguagem para expressar sentimentos, escutar ao outro, estabelecer turnos, tempos de espera, carícias e abraços, etc.). E, no entanto, devem-se elogiar as crianças quando estejam se comportando de forma apropriada (por exemplo, ao pedir ‘licença’ a outra criança antes de pegar um brinquedo). 

O comportamento dos pais e educadores diante das mordidas das crianças

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Para eliminar este tipo de comportamento é preciso que pais e educadores intervenham de forma coordenada e coerente. A atitude de todos os adultos deve coincidir. De nada adianta censurar a atitude na escola, se ela for consentida em casa, e vice-versa. Trabalhando juntos se identificarão melhor às causas e a criança responderá da melhor forma possível. Sempre devem transmitir, de forma clara e firme, que a agressão não é aceita em nenhum caso, mas também oferecer-lhe um modelo de comportamento adequado: devem saber o que esperamos dela. E sempre, a qualidade do vínculo afetivo deve ser conservada: esse comportamento deverá ser tratado para que a criança mude, ao mesmo tempo em que se mantém com ela uma relação positiva. 

Limites à criança que morde 

Você não pode machucar os outros! É uma frase curta, e dita com firmeza qualquer criança entende. Esta norma sempre deve estar presente, mas seguramente os pais estarão lembrando as crianças em numerosas ocasiões ao longo da sua infância. Quando uma criança morde, deve-se intervir com rapidez, mas também com calma. Ela deve ser separada do grupo de brincadeiras (depois de ter atendido a criança que tenha sido mordida) e mostrar-lhe nossa desaprovação de uma maneira que não reforce o seu comportamento. 

Os pais e educadores devem explicar à criança, olhando nos seus olhos, que o seu amiguinho está sentindo dor e que não vão permitir que o façam novamente. A criança deverá receber um ‘tempo de reflexão’ (um ou dois minutos), e não poderá voltar ao grupo até que tenha se acalmado. Se quiser voltar a brincar com as outras crianças, ela deve parar de morder. Também é importante dar-lhe a oportunidade de ter um comportamento reparador (ajudar a cuidar do seu companheiro, dar-lhe um beijo, pedir-lhe desculpas). Eu não gosto! As crianças também devem aprender a expressar o seu mal estar (‘Não gosto quando você me morde’, ‘você me machucou’, ‘não puxe minha boneca, estou brincando com ela’). Vão aprender a utilizar o ‘não’, minimizarão a possibilidade de que cheguem a ser vítimas. 

Alternativas educativas à criança que morde

O desenvolvimento da linguagem e a compreensão são fundamentais para conseguir o autocontrole e desenvolver a confiança pessoal e a autoestima. A uma criança que morde merece atenção especial quando estiver brincando com outras crianças pacificamente e elogiá-la; deste modo saberá que existem melhores formas de se comunicar e de ser reconhecida. Verá que valorizamos o seu bom comportamento e não terá que recorrer a comportamentos agressivos para conseguir que prestemos atenção a ela. 

O que nunca se deve fazer é morder a criança que morde como castigo ou para demonstrar-lhe o quanto dói. Quando são muito pequenas, não conseguem relacionar a dor que elas sentem quando são mordidas com a dor que causam quando mordem outras crianças. A violência e a humilhação não devem ser utilizadas para erradicar este comportamento. Deve-se ressaltar que os problemas se resolvem dialogando, nunca pela força. 

E, se mesmo assim, não deixa de morder? Geralmente, quando se trata o problema de maneira firme e coerente, a maioria das crianças entende o que dizem a ela e deixam de morder. Mas, se apesar das nossas tentativas, morder se converte em um problema contínuo (sobretudo quando a criança ultrapassa os três anos), pode ser que seja necessário buscar a ajuda de um profissional e/ou considerar a possibilidade de que a criança fique em um ambiente com menos crianças e mais atenção individual. 

Victoria González 

Psicóloga 

Professora de Educação Infantil

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