A violência de gênero e as crianças

Uma forma de maltrato infantil que acontece no seio da família

Vilma Medina Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

A Academia Americana de Pediatria (AAP) reconhece que ‘ser testemunha de uma violência doméstica pode ser tão traumático para a criança como ser vítima de abusos físicos ou sexuais’. Todos menores que vivem em um lar em que seu pai ou companheiro da sua mãe é violento contra ela são vítimas da violência de gênero. Em lares em que impera a violência, os filhos e filhas têm até 15 vezes maior probabilidade de sofrerem maltrato físico, abusos sexuais e negligência, do que nos lares não violentos. 

Numerosos estudos de pesquisa têm demonstrado que os menores expostos à violência de gênero podem sofrer de problemas físicos, transtornos psicológicos, problemas de comportamento e dificuldades cognitivas derivadas da sua exposição à violência. 

Consequências nas crianças expostas à violência de gênero

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Problemas físicos: 

- Atraso no crescimento 

- Transtornos de conduta alimentar (inapetência, anorexia, bulimia)

- Dificuldade ou problemas com o sono

- Regressões, menos habilidades motoras 

- Sintomas psicossomáticos (alergia, asma, eczemas, cefaléias, dor abdominal, enurese)

Problemas emocionais: 

- Ansiedade

- Ira 

- Depressão, isolamento 

- Transtornos da autoestima 

- Estresse pós-traumático e processo traumático 

- Transtornos de apego ou de vinculação 

Problemas cognitivos: 

- Atraso no aprendizado da linguagem e do desenvolvimento verbal 

- Atraso do desenvolvimento cognitivo 

- Baixo rendimento escolar

Problemas de comportamento: 

- Violência com os outros (agressão, delinquência, crueldade com animais) 

- Ataques, desinibições, imaturidade 

- Déficit de atenção com hiperatividade 

- Tóxico dependência 

- Condutas autodestrutivas 

Problemas sociais: 

- Escassas habilidades sociais 

- Introspecção ou timidez 

- Transtornos da empatia 

Como a violência de gênero afeta as crianças de acordo com a sua idade 

Os cuidados, atenção e afeto que os menores de 5 anos reclamam das suas mães, as vítimas, são o grupo mais exposto e vulnerável à violência. Esses meninos e meninas apresentam perda de peso, alterações do sono, transtornos de alimentação, problemas de controle de esfíncteres, ansiedade, tristeza e choro inconsolável. Podem se comportar com mais agressividade nas suas relações pessoais, e com frequência, se sentem responsáveis pelos conflitos dos seus pais. 

Os meninos e as meninas entre 6 e 12 anos têm maior controle das suas emoções, capacidade de raciocínio, e um círculo social mais amplo. Também imitam o papel dos pais, sentem preocupação ou chateação pela vítima (mãe), mas curiosamente mostram admiração diante do poder e a força do pai violento. Apresentam mais medos, problemas acadêmicos, comportamentos agressivos, isolamento, ansiedade ou depressão e diminuição da sua autoestima. 

A família é considerada como o primeiro agente de socialização da criança e o mais decisivo no estabelecimento de padrões adequados de funcionamento social. A transmissão da violência dos pais aos seus filhos tem sido motivo de estudo em numerosos trabalhos, e já é comprovado que as meninas expostas terão maior probabilidade de serem vítimas de maus tratos pelos seus parceiros. Atualmente, o objetivo de numerosas instituições familiares e infantis independentes e relacionadas diretamente com o poder público é erradicar a transmissão da violência de gênero entre as gerações

Marisol Nuevo. Redactora de Guiainfantil.com