A estimulação de bebês gêmeos

Estimular e educar crianças gêmeas não é tão diferente de irmãos de diferentes idades, mas o trabalho é em dobro

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Em 2/3 das gestações gemelares, os gêmeos são bivitelinos, portanto não são idênticos; em 1/3 são univitelinos, portanto idênticos. Os gêmeos não idênticos são formados pela fecundação de dois óvulos por dois espermatozoides.

Na verdade, podem ou não ter o mesmo sexo e equivalem a duas gestações que se desenvolvem ao mesmo tempo e no mesmo ambiente. Já os univitelinos ou idênticos formam-se quando um único óvulo, fecundado por um só espermatozoide, sofre posteriormente uma divisão. Logo, gêmeos idênticos têm necessariamente mesma carga genética e mesmo sexo.

No entanto, em ambos os casos, nascem da mesma gestação e, portanto são especiais, levando em conta que o mais comum para o ser humano é o nascimento de um indivíduo por gestação.

A estimulação das crianças gêmeas

Como estimular aos bebês gêmeos

Cada criança tem um desenvolvimento e ritmo particulares, e no caso de gêmeos não é diferente. Por ter nascido no mesmo parto, não quer dizer que seu desenvolvimento vai ser igual. Pelo contrário, em geral mostram um desenvolvimento diferente. Ainda que ambos apresentem, em linhas gerais, uma mesma idade de desenvolvimento, é frequente ver como um dos bebês apresenta um desenvolvimento, por exemplo, motor, mais acelerado que o outro. Por outro lado, um deles apresenta desenvolvimento afetivo social mais aguçado e o outro não.

Quando trabalhamos a estimulação com bebês gêmeos, temos que levar em conta que apresentam seu desenvolvimento cognitivo maior do que os bebês que nascem de um parto simples. Essa etapa se chama “período de identidade gemelar” e aparece durante os dois primeiros anos de vida das crianças, gerando um atraso em seu desenvolvimento. Mas isso não é algo que tenha com que se preocupar, pois se pode recuperar de maneira natural por volta dos seis ou sete anos de idade. 

Isso se deve que, desde o nascimento, as necessidades dos bebês podem se satisfazer não de maneira individual, mas como um casal. Se um bebê chora, deve-se atender a demanda de ambos e não de maneira particular. Em geral, os pais de gêmeos têm muitas dificuldades para considerar cada criança em particular, como uma necessidade concreta.

Como educar bebês gêmeos

Não conseguir considerar gêmeos em suas particularidades por parte dos pais, pode gerar uma pequena dificuldade no desenvolvimento dos gêmeos. Daí se devem respeitar alguns aspectos:

- Respeitar a individualidade do bebê. Desde o ponto de vista da estimulação, devemos também, ter momentos diferenciados com cada um, já que apresentarão desenvolvimento diferente um do outro. Deve-se levar em conta sua idade de desenvolvimento e ritmos próprios.

- Outro aspecto a levar em conta é que as primeiras conquistas, no que se refere à aprendizagem, como por exemplo, aprender a andar e falar pode aparecer de modo paralelo, porque as crianças estimulam uma à outra.

- Quando um bebê começa a engatinhar, se arrastar ou andar, o outro tem um modelo a seguir que o motive a fazer algo que poderia fazer também.

- Do mesmo modo, quando um começa a balbuciar, o outro repete seus balbucios, de modo que às vezes parece que estão respondendo um ao outro. Esse é o momento de aproveitar para estimular a linguagem com eles.

- Por outro lado, em outros tipos de aprendizagem, como por exemplo, o motor fino, como percepção, pode ser que haja diferenças, e um bebê se sobressaia ao outro.

Em linhas gerais existem quatro etapas do desenvolvimento gemelar:

1. A fusão gemelar (0 a 2 anos): nessa fase são muito parecidos e suas necessidades são satisfeitas ao mesmo tempo.

2. A particularidade (a partir dos dois anos): cada um começa a desenvolver seus próprios potenciais.

3. A primeira fase de autonomia (até os seis anos): a escola permite que cada criança adquira um comportamento de indivíduo completo.

4. A segunda fase de autonomia: a adolescência.

Levando em conta esses aspectos de desenvolvimento dos gêmeos, não tem porque ser tão diferente de como é com irmãos de idades diferentes, somente porque teremos o dobro de trabalho.

Marta Veguillas Ocaña
- Pedagoga especialista em Atenção Precoce e Educadora em Massagem Infantil