Crianças leitoras. Nascem ou se fazem?

Os benefícios da leitura para as crianças

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

As crianças leitoras nascem ou se fazem? O leitor não nasce e os pais têm um papel fundamental que não devem delegar exclusivamente na escola. A escola tem uma responsabilidade sobre o processo de aprendizagem não centrado no prazer da leitura; este, como muitos desejos devem ser alimentados desde casa, no seio da família. 

Conselhos para gerar desejo pela leitura nas crianças

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1. Os pais são um referencial fundamental. Os seus filhos, em boa medida, tende a imitar o que os seus pais fazem. Nas famílias em que os pais são bons leitores, a leitura faz parte da vida: existe uma biblioteca e os pais dedicam alguns momentos disponíveis para ler. Falam sobre livros e comentam o que estão lendo a cada momento... É mais fácil que as crianças tenham uma inclinação natural em se aproximar da leitura como um entretenimento atrativo, satisfatório. 

2. No caso de pais não leitores ou pouco leitores, o objetivo em conseguir que seus filhos leiam é igualmente possível, com um pouquinho mais de trabalho por parte dos pais. Seguramente não vão se converter em leitores para que seu filho o seja, mas podem demonstrar interesse em que leiam. Podem ir com o seu filho a uma livraria com uma gama ampla de literatura infantil e juvenil, folhear com a criança alguns livros e prestar atenção pelo que a criança está se sentindo atraída.  

3. As bibliotecas públicas e as bibliotecas escolares são uma boa fonte para tomar livros e revistas emprestados com o conselho dos profissionais encarregados desses centros. 

4. Se houver algum conto, alguma novela, alguma comédia que tenha ficado como uma recordação grata da infância na mente dos pais é possível falar dessa experiência e dar-lhe valor diante dos olhos da criança. 

5. E algo definitivo: dedicar um tempo para a leitura compartilhada. No caso dos pequenos que ainda não sabem ler ou que estão aprendendo eles se cansam facilmente. O adulto é o intermediário entre a história que o livro ou a revista oferece à criança. 

6. No caso das crianças que já sabem ler, o pai ou a mãe podem se interessar pelo que está lendo, perguntar-lhe relaxadamente para que compartilhe suas impressões. Tudo isso sem converter esse interesse num interrogatório chato e incômodo para a criança. 

Duas idéias que nunca se pode perder de vista nesse afã dos pais, leitores ou não, em conseguir que seus filhos leiam e que desfrutem lendo: 

1. A leitura é um prazer e não uma obrigação tediosa. 

2. Sempre haverá um livro ou uma revista que chegue ao coração da criança. Há que descobri-la levando muito em conta a sua idade, sua personalidade e seus gostos. 

Benefícios da leitura para as crianças 

Para começar, algo fundamental: a leitura dá prazer, criatividade, entretenimento inteligente e ativo, conhecimento do mundo e conhecimento dos demais. E isso é apenas o começo! 

Além disso, lendo uma criança reforça a sua capacidade de concentração e de atenção. Também pratica a leitura mecânica (a união de letras e de sílabas para formar palavras e de palavras para formar frases) e a leitura compreensiva, ou seja, a relação imprescindível de uma palavra com um significado. 

Tudo isso tem uma repercussão direta no seu rendimento escolar: uma criança que lê bem estuda melhor, e em consequência obtém melhores resultados acadêmicos. De maneira que a leitura tem uma participação fundamental no êxito escolar. 

Uma criança que lê tem uma perspectiva mais ampla das coisas. A leitura promove e alimenta a sua curiosidade e lhe apresenta muitas possibilidades para cada situação que lhe faz mais flexível, mais criativa, mais solidária, e mais compreensiva com os demais... São muitas as boas qualidades humanas que se desenvolvem melhor com a leitura. 

Quando desde pequeno uma criança se encanta com a leitura e se torna leitor de verdade, ela consegue um trunfo: a leitura é um amigo fiel que lhe acompanhará ao longo de toda a sua vida. Nos momentos difíceis, nas circunstâncias difíceis, a leitura será um refúgio privado em que a criança encontra consolo, alívio e conselho. 

Consuelo Cuevas