A hipertensão arterial em crianças

Por que existem crianças com pressão alta e como preveni-lo

Vilma Medina Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Quando falamos de pressão alta soa à terceira idade, coisas da idade, uma vez que com o passar do tempo é o principal culpado que nossos vasos sanguíneos envelheçam e se tornem mais duros e resistentes à passagem do sangue. No entanto, é importante conhecer que a hipertensão arterial também pode acontecer em crianças. De fato, trata-se de uma condição que tem aumentado cada vez mais e nada tem a ver com a hipertensão em adultos. 

Causas da hipertensão em crianças

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O número de casos de hipertensão em crianças está crescendo nos últimos anos devido ao aumento de escolares com sobrepeso, o excesso de sal nas comidas, o consumo precoce de álcool em adolescentes ou o sedentarismo. Cada vez mais existem estudos que relacionam a hipertensão na infância com a da idade adulta, no sentido de que uma criança com números elevados de pressão arterial tem mais risco em se converter num adulto hipertenso. Além disso, se sabe que alterações inclusive leves da pressão arterial em idades precoces da vida se traduzem em hipertensão com lesão orgânica no adulto (com dano nos chamados órgãos como a retina, os rins ou o coração). Tudo isso tem a importância de um correto manejo tanto diagnóstico como terapêutico de hipertensão na infância, no qual desempenha um papel decisivo a figura do pediatra de Atenção Primária, pois é quem primeiro deve suspeitar da hipertensão. 

Como se mede a pressão arterial em crianças 

Nas visitas a um médico, alguma vez já aferiram a pressão arterial do seu filho? Não? Pois, os pediatras já estão pedindo também porque a pressão também deve ser aferida em crianças. Mas, muita atenção com os aparelhos comprados em farmácias usados para medir a pressão arterial em casa! Em crianças, os valores não são os mesmos que nos adultos; os números oscilam em função da idade e do tamanho, assim que não brinque de ser pediatra do seu filho na farmácia e peça no posto de saúde, que de vez em quando afira a pressão do seu filho.  E vigie que essa aferição seja feita de forma apropriada, com um aparelho adequado ao tamanho do braço da criança após 5 minutos de repouso e sem haver ingerido previamente cafeína ou fumado cigarro (sim, alguns adolescentes também fumam).  

Diagnóstico da criança hipertensa

Mas, tão pouco isso é motivo para se alarmar: a hipertensão nunca é uma urgência, a não ser em números muito elevados e acompanhados de sintomatologia grave, exceções chamadas urgências ou urgências hipertensivas, raríssimas em crianças. Um número elevado de pressão arterial tão pouco nos torna hipertensos, isso deve ser confirmado com mais medições. No caso em que exista suspeita real de hipertensão, o pediatra deverá orientar uma consulta com nefrologista e com um cardiologista infantil para começar com o estudo das possíveis causas da dita pressão arterial elevada. E nesse ponto, também deve imperar a calma, pois um clima de nervosismo não ajudará em absoluto a família nem à criança em questão. Se a pressão estiver alta, a primeira coisa que devemos manter é a tranquilidade. 

De fato, uma das primeiras e frequentes situações que haverá que descartar é a hipertensão arterial do avental branco. Quando a gente vê o médico vestido de avental branco, os resultados estão pelas nuvens, mas provocados pela pressão que gera o próprio médico. Para descartar essa situação se solicita habitualmente uma monitorização ambulatória da pressão arterial (MAPA), um aparelho que em intervalos de 10 a 15 minutos nos mede a pressão arterial ao longo de um dia todo, para finalmente revelar se realmente somos ou não hipertensos. Seja qual for o resultado, relaxe. Tudo tem solução.  

Roi Piñeiro Pérez

Pediatra