Os primeiros instrumentos de percussão do meu bebê

Vilma Medina Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Os primeiros instrumentos de percussão do meu bebê foram as louças da cozinha. Cada vez que eu levava meu filho à casa da vovó, ele ida direto para a cozinha, abria a gaveta das colheres de metal e de madeira, tirava tudo o que desejava para bater, e a mesma coisa fazia com as panelas. Assim, em um momento ele montava sua própria bateria musical com instrumentos da cozinha.

Colocava os potes e panelas de boca para baixo, depois pegava as colheres e experimentava como soavam de uma panela para outra. Dessa forma ele criava um sistema de instrumentos musicais muito peculiares, básico e peculiar, que ele adorava. 

Um bebê percussionista na família

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Minha sogra se queixava muito do barulho infernal com que meu filho nos castigava enquanto ele se divertia, e antes de reprimir ou dar por terminada aquela iniciativa, indaguei um pouco sobre o assunto. Eu me surpreendi quando descobri que aquela forma primitiva de fazer barulho ou música, depende de como se vê. Na verdade tinha raízes ancestrais. Os instrumentos de percussão são os primeiros elementos sonoros que o homem criou no seu trabalho diário e nas suas diferentes festas para produzir sons e ritmos. Sua origem vem das primitivas sociedades africanas e asiáticas e é marcada pelo seu papel mágico e sua acentuada função social. 

A percussão é algo natural e parece estar muito vinculada ao ser humano. O bebê, desde que nasce, utiliza sua própria percussão, seja produzida pelas onomatopéias das suas primeiras palavras, pelos ruídos orgânicos ou até mesmo pela descoberta do seu próprio corpo. À medida que vai crescendo, a criança continua experimentando com outros utensílios a criar ritmos simples. 

De fato, nas primeiras aulas de iniciação musical dos pequenos se utiliza a percussão como forma de ‘quebrar o gelo’. Assim, a percussão corporal, que utiliza as palmas em espaços ocos sobre diferentes partes do corpo, ajuda as crianças a perder o medo nessa primeira aproximação com a música e faz com que entre a criança e o instrumento se crie uma aproximação, uma relação de identificação como se o instrumento musical fosse uma prolongação da personalidade da própria criança.

De maneira que decidi que aquelas primeiras iniciativas musicais do meu filho permanecessem e deixaram de ser uma dor de cabeça familiar. A música foi uma das suas primeiras aulas extraescolares, onde a cada dia ele melhorava. E não foi só isso. A música tem muitos benefícios para as crianças. Cria uma série de conexões neuronais nas crianças e por isso vale a pena incentivar. É benéfica para estimular a capacidade de concentração, melhora a capacidade de aprendizado da matemática e facilita o seu aprendizado de outros idiomas.

Marisol Nuevo

Redatora de Guiainfantil.com