Meu filho tem de tudo e se chateia

Vilma Medina Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

O quarto do meu filho se parece um pouco com a seção de brinquedos de um shopping e eu me surpreendo quando ele me diz que está aborrecido. A maioria das crianças tem de tudo e os pais estão se dando conta de que algo não funciona quando não sabem com que se entreter, sobretudo agora no Natal, quando Papai Noel virão carregados de mais brinquedos. 

Segundo especialistas, uma excessiva quantidade de brinquedos no quarto ao alcance das mãos provoca atitudes de capricho, aborrecimento ou menosprezo, além de uma falta de interesse em conservá-los e uma desordem no quarto. 

O excesso de brinquedos não é bom para as crianças

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Em meio a este caos, chega o Natal, época em que se presenteiam 70% dos brinquedos de todas as vendas anuais e é o momento de se organizar. Os brinquedos são instrumentos eficazes para o desenvolvimento da criança, para o seu aprendizado e para a sua evolução, mas no equilíbrio reside a chave para evitar respostas contraditórias por parte das crianças.

Em muitas ocasiões temos visto quando passa a novidade do presente, as crianças perdem o interesse pelos brinquedos. No entanto, elas continuam pedindo, por inércia, a lista de presentes que escrevem que é cada vez mais ampla, longa e mais cara. O que podemos fazer para ajudar as crianças a valorizar o que já têm?  

Dividir os presentes de brinquedos ao longo do ano para manter viva a sua magia e o interesse por eles e guardar os que nesse momento a gente considere menos adequados para o nosso filho, pela sua idade ou pelo seu nível de desenvolvimento, mas que pode ser dentro de alguns meses são algumas dicas para dar um basta nesse consumismo e desassossego. 

O psicólogo e escritor Javier Urra, em uma entrevista exclusiva concedida a Guiainfantil.com nos fala sobre o tema das crianças que têm de tudo em relação ao consumismo infantil e explica que ‘2 de cada 5 anúncios vão dirigidos às crianças no Natal e que 50% das crianças e jovens deste país consideram que têm mais brinquedos do que necessitam’. 

Nesta época de crise, a primeira coisa que os pais têm que fazer é dar exemplo. São os adultos que devem ensinar aos filhos a valorizar o humilde e o simples. Os pais têm que abrir os olhos e se dar conta do que verdadeiramente importa é que entremos no mundo das crianças para sermos ‘seus brinquedos’. 

Longe de nos sentirmos mal por não ter podido comprar tudo o que a criança pedia na lista, o importante é encontrar tempo para brincar com ela, para que sinta o nosso carinho, nosso amor e que percebam que a gente se importa muito com ela e que desfrutamos da sua presença acima de tudo.