Será que o seu filho precisa de mais brinquedos?

O exagero na hora de dar presentes aos filhos

Vilma Medina Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

O Dia das crianças já está bem próximo e devido a uma crise generalizada em todo o país, segundo pesquisas os presentes serão em menor quantidade e com preços bem mais baratos. Mas, uma pergunta sempre intriga aos pais: ‘Será que o meu filho precisa de mais brinquedos?’.

O seu filho precisa de mais brinquedos?

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O consumismo crescente pelas crianças, que a toda hora querem um smartphone do momento, um lançamento digital, um brinquedo novo que seus amiguinhos já têm ou uma roupa de marca tem gerado crianças ansiosas. De acordo com pesquisas recentes, 20% da população mundial sofrem de depressão, mas 80% de ansiedade (dados da OMS – Organização Mundial da Saúde). Essa quantidade de informações e a busca pelo ‘ter’ tem causado enormes prejuízos nas crianças. 

Pensando nisso, um casal do Tenessee (Scott e Gabby – EUA) decidiu que pelo tempo de um ano não comprariam roupas, eletrônicos e brinquedos para eles e seus filhos. A decisão veio porque eles estavam sentindo que com esse consumismo crescente eles e os filhos tinham perdido o que realmente importava na vida.   

O interessante é que eles conseguiram manter esse objetivo em segredo dos seus filhos, uma menina de 5 anos (Audrey) e um menino de 7 anos (Jake). Mesmo numa idade em que as crianças costumam pedir muita coisa aos pais, nenhum dos filhos notou mudança alguma. O que os pais fizeram questão de mostrar é que teriam mais tempo com os filhos e esse tempo juntos seria de muita qualidade. As crianças adoraram. 

Os pais notavam que, assim como a maior parte dos seus amigos, eles tinham uma vida muito agitada e isso os faziam comprar mais e mais, tentando compensar a falta de tempo com os filhos. 

Foi então que colocaram em prática o segredo deles. Só compravam coisas essenciais como combustível, comida e coisas do dia a dia. Roupas e brinquedos não estavam nunca na lista, e quando alguma coisa quebrava em casa eles mandavam consertar. 

Ao mesmo tempo em que deixaram de comprar o que não estavam precisando, a família também começou a praticar mais o trabalho voluntário e isso também contribuiu para que tanto eles (pais) como as crianças dessem mais valor ao que tinham. 

Isso também me faz lembrar o grande pensador e escritor Augusto Cury, quando fala sobre a ansiedade que o consumismo gera nas crianças, algo comparável com alguém que é viciado em drogas. A criança consumista não se contém. Recebe algo novo e em poucos dias (algumas crianças em poucas horas) já não demonstram interesse naquele novo presente. 

Por isso, antes de comprarem novos e caros brinquedos e eletrônicos para os seus filhos, pensem se o que eles estão precisando é de mais tempo de qualidade (brincadeiras, acampamentos, cinema juntos) ou de mais e mais brinquedos que vão acabar na prateleira. 

Invista mais tempo com os seus filhos. Eles vão agradecer pelo resto das suas vidas. Crianças que têm convívio estreito com pais e entendem melhor os valores da vida são crianças mais felizes e com uma excelente autoestima

Pablo Medina
Redator Guiainfantil.com Brasil