Demasiados estímulos enlouquecem nossos filhos

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Você se lembra quando alguns botões serviam para jogar emocionantes partidas de futebol? Ou um pedaço de giz era um elemento indispensável para descer para o parque e brincar de amarelinha? A gente não tinha computadores, nem tablets, nem celulares... E brincávamos felizes!

Nossos pais e avós nos diziam que tínhamos mais do que necessitávamos e que eles, quando eram pequenos não tinham muitas coisas. É comum pensar que as novas gerações têm tudo mais fácil, no entanto, nesses tempos existe uma coisa certa: as crianças recebem demasiados estímulos.

As crianças hoje em dia estão recebendo estímulos demais

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O mundo da infância tem sido afetado pelos tempos que vivemos, em que sair de casa sem um smartphone é como sair sem sapatos, ou nosso contato com amigos é virtual. E, ao final, toda a voragem tecnológica e as oportunidades que estão ao nosso alcance têm um impacto sobre os nossos filhos e faz com que estejam com estímulos e informações demais, porque: 

- O tablet é o companheiro indispensável de muitas crianças.

- A televisão é um membro a mais na família. A oferta de inúmeros canais permite que possam estar pulando de um canal para outro sem parar de ver programas para as crianças.

- A agenda dos nossos filhos está repleta de atividades extraescolares: inglês, esportes, música, pintura...

- O número de brinquedos que temos em casa é tanto que não existe lugar para a chateação. 

O dia a dia dos nossos filhos está repleto de estímulos visuais, físicos e sonoros. Recebem tal quantidade de informação que é impossível que a canalizem e consigam organizar e gerar seus próprios pensamentos ou sua própria forma de ver as coisas.

Segundo especialista, todo este excesso só conduz as crianças a que: 

- Não possam se concentrar em um jogo ou atividade porque logo em seguida outro coisa ou jogo capta sua atenção. 

- Não querem ler livros ou contos.

- Seu vocabulário é mais limitado.

- Não têm paciência para fazer suas tarefas, e para essas crianças custa muito esperar e perseverar para atingir um fim. 

Não podemos negar que vivemos em uma era tecnológica, e não podemos isolar nossos filhos e não permitir-lhes que tenham acesso ou utilizem certos dispositivos, mas sim podemos controlar o seu uso e vigiar o que fazem. Também podemos acercá-los aos livros, às brincadeiras de rua, aos passeios pela cidade...

E, sobretudo, podemos evitar criar para eles uma agenda digna de um ministro e não encher o seu dia de estímulos e atividades. Não estressá-los desnecessariamente para enlouquecê-los. Não tem problema se vão se chatear. De fato, os psicólogos dizem que assim poderão desenvolver a fantasia, a concentração e a criatividade.

É possível que tenhamos que parar para pensar em quantas coisas nossos filhos fazem ao longo do dia, em quantos estímulos recebem e se estes realmente lhes permitem desfrutar, aprender, avançar, pensar, crescer... Em resumo, ser crianças.

Alba Caraballo

Editora de GuiaInfantil.com