Tablets para bebês, sim ou não?

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Sempre que deixo um tablet com o meu filho, eu me lembro da mesma cena: durante algumas férias, alguns pais desciam toda manhã para o café da manhã do hotel onde estavam, com um tablete debaixo do braço. Escolhiam com cuidado a mesa, sentavam o seu filho de dois anos e colocavam o tablet num lugar visível. Então começava o ritual, sempre o mesmo: a criança não tirava os olhos do tablet. Não podia deixar de ver os desenhos. E comia, sim. E os pais também. Sem gritos nem protestos do pequeno. E cada vez que eu me recordo dessa cena, me traz remorso e algum medo. Estou fazendo bem deixar meu filho com um tablet? Quanto tempo ele pode utilizá-lo? Será ruim? 

Cuidado em deixar o tablet com o bebê 

Hoje em dia o tablet é quase um membro a mais da família. Ou não? Os bebês aprendem as novas tecnologias com a mesma facilidade com que aprendem a andar, a falar ou a comer. Mas eles aprendem porque nós os ensinamos. E da mesma forma que lhes ensinamos a desenvolver suas habilidades, também deveríamos ensiná-los a ter limites. E qual é o limite? Justo no momento em que o jogo se transforma em dependência e o aprendizado em distração. 

Os especialistas alertam sobre o uso excessivo dos tablets por bebês. Pode gerar déficit de atenção, problemas no desenvolvimento da linguagem e perda de interesse em interagir com os demais. A dependência do tablet pode gerar crianças com pouco autocontrole, pouco comunicativas, e com escasso interesse em desenvolver a criatividade. 

Assim, que muito cuidado! Tablets sim, mas na sua justa medida. Podem ser utilizados de forma responsável. Para ler, contar-lhes um conto, brincar um pouco. Sempre é bom impor horários, minutos e limites de uso. O cuidado maior é perder o tempo das brincadeiras com os pais, com os amiguinhos, irmãos e avós. Algo tão enriquecedor. Não é bom deixar os jogos e brincadeiras tradicionais como o pega-pega, esconde-esconde, jogos de montar, quebra-cabeça, etc. Não perca essa etapa mágica dos bebês, que passa voando. Em breve ele terá mais tempo para brincar com os tablets. Lembrando que, independentemente da idade, os limites de uso devem ser impostos sempre. Não há como fugir do que as novas tecnologias se tornaram na vida dos nossos filhos, mas temos que ter muito cuidado e lembrar que as crianças são mais sensíveis à radiação emitida pelos tablets e smartphones.