A timidez e a vergonha das crianças

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Ontem foi o aniversário do meu filho e minha sobrinha de 4 anos não quis pegar o telefone para felicitá-lo porque sentia vergonha. Em outras ocasiões, quando saímos para comer fora, essa mesma menina tem dificuldade de cumprimentar as pessoas e fica sempre se escondendo atrás da mãe.

O que a timidez das crianças esconde?

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A gente se pergunta o porquê desse comportamento, dessa timidez. Enquanto na nossa mente parece absurda essa situação, para os seus pais é cada vez mais preocupante e já não sabem o que fazer para ajudar a criança para superá-la. Geralmente, a culpa da timidez das crianças tem sido o caráter introvertido, mas por trás da timidez podem se esconder outros condicionantes.

A timidez não aparece até os 2 anos. A partir dessa idade, a criança começa a ser consciente de que os outros avaliam suas ações e até mesmo rir-se delas. Aos 3 ou 4 anos de idade, as crianças dão muita importância à opinião dos outros, principalmente diante de pessoas ou situações novas ou diferentes do seu meio familiar mais próximo, que lhe proporciona segurança, essas crianças podem se sentir incômodas. Ao tentar enfrentar essas situações complicadas, podem aflorar os primeiros sinais de vergonha ou timidez.

Quando este comportamento tímido se veste de uma circunstância em concreto, não é necessário se preocupar nem fazer com que os alarmes toquem, mas o fundamental é prestar muita atenção à criança e dar-lhe segurança para evitar possíveis problemas de comportamento no futuro. Estes problemas surgem quando a criança começa a ter dificuldades de relacionamento tanto com os adultos como com outras crianças. Ela foge dos desconhecidos e se apega literalmente à sua pessoa de referência ou não tem vontade de fazer coisas novas.

‘Isso já vai passar... ’ é a frase que mais escutamos quando assistimos perplexos a este tipo de comportamento por parte das crianças. E essa crença popular tem o seu fundamento. Os pais devem levar em conta que à medida que o pequeno vai amadurecendo, ele aprende a se relacionar melhor e esses tipos de sentimentos reduzem ou perdem a intensidade com a idade. 

Por outro lado, se esse comportamento se mantém ou se intensifica, a criança ao crescer vai tendo consciência das suas perdas, por não conseguir fazer o que no fundo ela gostaria, como dar as boas vindas aos seus amigos ou familiares, ir a um aniversário, brincar com crianças que não conhece ou levantar a mão na sala de aula mesmo sabendo a resposta de uma pergunta. Essa sensação gera sofrimento e tem tendência a se agravar quando a criança apresenta pouca destreza em alguma faceta concreta, começa a adquirir complexos, e, finalmente entra numa espiral que com certeza vai levá-la a forjar uma idéia negativa de si mesma e uma baixa autoestima.

Marisol Nuevo