O telefone celular não é um brinquedo

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

O celular está na moda entre as crianças na idade de 10 anos. Nas escolas e entre seus amigos, é o objeto de desejo mais demandado. Para as crianças, o celular é o melhor presente de aniversário, e é o mais esperado premio de final de curso. Só para que tenhamos uma ideia, no Brasil, mais de 7 milhões de crianças tem hoje telefones celulares. E o número só vem aumentando... Por outro lado, as consequências não demoraram de chegar.

As crianças e uso dos celulares

O celular como brinquedo e presente para a criança

O uso desmedido do celular pelas crianças já fez algumas vítimas. Em Lleida, as crianças de 12 e 13 anos estão tendo que receber tratamento psicológico pelo vício ao celular. Os pequenos sofriam transtorno de conduta que gerou o fracasso escolar. A primeira coisa que os pais defendem ao decidirem dar celulares aos filhos é por se sentirem mais seguros quando saem para passear com amigos e que os têm mais controlados e vigiados.

No entanto, segundo um estudo apresentado num Congresso de Psicologia Infantil realizado em Miami (EUA), esses pais não têm consciência do perigo que representa para seus filhos falarem ao celular enquanto cruzam uma rua, ou caminham por uma zona de tráfego. As crianças perdem a atenção no tráfego e podem ser vítimas de acidentes. Aos dez anos, elas ainda não têm um desenvolvimento suficiente para se concentrar na rua e se distraem facilmente se expondo a situações de risco. O estudo não sugere a proibição dos celulares por crianças. Reconhece que em casos específicos de necessidade, como é de uma doença, o celular é um meio de controle importante. 

A diretora do centro onde estudam as crianças viciadas por celulares, revela que o vício dessas crianças pelo celular foi diagnosticado quando se comprovou que quando se tirava o aparelho delas, elas tinham problemas sérios para levar uma vida normal. Sua dependência havia chegado a tal extremo que sem o telefone as crianças não conseguiam realizar as tarefas que lhes eram solicitadas. Essas crianças dispunham do telefone para uso próprio e sem nenhum controle por parte dos seus pais, possuíam cartão e podiam obter dinheiro para recarregar o telefone. Ficavam utilizando o aparelho de cinco a seis horas diariamente. 

Estamos numa sociedade em que as crianças se aborrecem, confundem-se e buscam alternativas mais rápidas e imediatas para se divertirem como a televisão, o play-station, o Wii e os videogames. Agora os celulares, que insisto, não é um brinquedo. Os interesses, os desejos e as fantasias das crianças mudaram. A forma de educar de alguns pais também. Os jogos são mais solitários, e por isso, têm menos controle. Tudo se confunde. O telefone celular não é um brinquedo nem um jogo. É simplesmente um aparelho e como tal, um instrumento de necessidade. É lamentável que esteja se convertendo já em uma droga.

Vilma Medina
Diretora de Guiainfantil.com