Contra o maltrato aos idosos na família

Vilma Medina Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Numerosas famílias com crianças recebem a ajuda dos avós. Hoje em dia, os avós substituem em muitas das tarefas que os pais não podem desempenhar pela falta de tempo, como pegar as crianças na escola, dar-lhes merenda, ajudar com os deveres. 

Conciliar trabalho e família muitas vezes é tão complicado que fica impossível conseguir fazer tudo, e os avós são uma excelente ajuda, principalmente quando são eles mesmos que o fazem voluntariamente, sem se sentirem pressionados pelos filhos. 

Os avós merecem o respeito dos seus filhos e netos

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É um paradoxo que, enquanto para alguns filhos seja tão importante e vital o trabalho dos avós com os netos, que a única coisa em que pensam é em como recompensar-lhes, em outras famílias o abuso e o maltrato na velhice é uma triste realidade. Nessas famílias, as pessoas idosas que são vítimas de violência têm maior incidência de problemas de estresse, crise de ansiedade, pânico, transtornos por somatização e depressão que acabam afetando sua integridade e elas se sentem muito vulneráveis. 

Convém destacar que os fatores que fazem do idoso uma pessoa vulnerável diante do maltrato são os baixos níveis econômicos deles, da perda do meio social e da baixa autoestima que se deriva de tudo isso. 

Os estudos sociais que vem sendo realizados sobre este problemas acrescentam um dado curioso que os deixam indefesos. Em geral, as pessoas idosas não reconhecem ou não identificam terem sido vítimas de algum tipo de maltrato, e tão pouco denuncia porque não sabem como fazê-lo, seja por impedimento físico, por temor em perder o apoio da família ou por vergonha de tornar público a sua situação, mas a principal causa é porque, em geral, é alguém do ‘seu próprio sangue’ que o idoso tem que denunciar. 

Os principais abusadores dos idosos, em 44% dos casos são seus próprios filhos adultos; os cônjuges representam 14,6%, o (a) companheiro (a) atual (afetiva e/ou sexual), 9,7% e outros familiares (nora, genro, etc.), 17%. É necessário destacar que as idades dos filhos (as) agressores flutuam entre 26 e 45 anos e são em 68% homens. No âmbito familiar, o tipo de violência que é exercido contra os idosos é o maltrato psicológico (95%), sendo a agressão física mais frequente são os insultos (85%), a humilhação e a desvalorização (66,3%) e as ameaças de morte (40%).

O agressor é, em geral, a pessoa que ‘cuida’ do idoso o mora ao seu lado, e pode ser um membro da família, um vizinho, amigo ou o responsável por uma instituição. Por isso, não me estranha que para os avós, o mais doloroso seja que as agressões venham dos seus filhos e netos, aqueles que eles contribuíram para formar e em quem depositaram toda a sua esperança de ter uma velhice tranquila e equilibrada. 

Atualmente, a consciência social é a única coisa que pode mudar essa situação de falta de respeito com os idosos. A sociedade tem um ‘culto’ pela juventude e tende a excluir e marginalizar as pessoas idosas. A tudo isso nós devemos acrescentar a falta de políticas públicas, recursos sociais e de saúde adequados, sem esquecer que as pensões e aposentadorias não estão de acordo com as necessidades da terceira idade. Já está mais que na hora de mudarmos essa realidade, e todos podem contribuir com isso, cada um valorizando os idosos na sua própria família, nunca se esquecendo que o jovem ou adulto de hoje será o idoso de amanhã.  

Marisol Nuevo

Redatora de Guiainfantil.com