As mães de hoje são mais medrosas

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Você acredita que somos mais medrosas com relação aos nossos filhos do que as mamães de antigamente? A violência e os casos de bullying aumentaram, bem como o uso e tráfico de drogas e assédio sexual. Parece que as mães de hoje vivem uma espécie de estresse que não nos deixa tranquilas. Outra coisa parece ter contribuído para esse medo e estresse: as mães têm tido filhos mais tarde, pouco antes de chegarem aos 40 e parecem ser presas fáceis de medos irracionais que aparentam aumentar com a idade.  

O instinto de proteção das mães 

Poderíamos dizer que as mamães de hoje em dia vivem um autêntico paradoxo. Apesar dos avanços científicos no campo da medicina, reduzindo os índices de mortalidade e vivermos em países cada vez mais desenvolvidos com acesso a tecnologias e medicamentos milagrosos, a ansiedade em saber como estarão nossos filhos não nos deixa tranquilas. 

Nosso instinto de proteção, em alguns casos exagerados, obriga-nos a estar em cima dos nossos filhos. Temos medo de chegar tarde para buscá-los na escola e que eles fiquem sozinhos expostos a qualquer outra pessoa, temos medo que as crianças saiam do carro de forma errada e aconteça algo, tememos que qualquer vírus ou doença possa afetar gravemente a sua saúde. A gente se preocupa com o que estarão comendo quando nós não estamos presentes e que tudo isso possa prejudicar a sua saúde no futuro. 

Mas o que mais nos preocupa é pela sua educação. Para muitos pais é requisito indispensável para o equilíbrio emocional ver que seus filhos estão bem adaptados à escola infantil, que são felizes compartilhando o dia com seus companheiros e que tiram boas notas. Os resultados acadêmicos são a ‘ponta do iceberg’ do medo irracional que temos que nossos filhos não cheguem onde sua capacidade alcance para conseguir um bom futuro profissional. 

Somos precavidas demais? É bom ou ruim viver com esses medos? Se decidirmos não deixar as crianças na creche para que não se contagiem com a gripe A e lhes perseguimos com sabão por toda casa para que lavem as mãos para evitar que se contaminem com germes da escola, talvez evitemos que a gripe nos mate, mas com certeza que a taquicardia o fará. 

Perseguir a perfeição acabará nos deixando sentir culpadas por sermos tão protetoras, e ao mesmo tempo, entrar numa espiral de ansiedade e estresse, que torna em intolerável qualquer comentário negativo sobre nossas intenções. Então, quando alguém lhe propõe um café com amigas e amigos, sem crianças, aparece um riso acompanhado dessa gratificante sensação de bem estar que produz um relax de dedicar alguns minutos a nós mesmos, sem pensar em nada mais, sem a preocupação com os filhos. Algumas coisas nós temos que mudar, não é mesmo? 

Marisol Nuevo