A vacina das meninas

Vilma Medina

Vilma Medina

As meninas dispõem de uma vacina adicional que os meninos não têm no seu calendário oficial de vacinas: a vacina contra o Vírus do Papiloma Humano (HPV), um vírus responsável pelo câncer do colo do útero. 

Esse tumor é o terceiro tumor mais frequente em mulheres, atrás do câncer de mama e do colorretal, e a quarta causa de morte de mulheres por câncer no Brasil.

Somente na União Européia (UE) o câncer do colo do útero é o segundo mais comum em mulheres depois do câncer de mama. A cada ano são registrados por volta de 33.000 casos novos e 15.000 mortes por este tipo de tumor. 

Uma vacina feminina por excelência

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Além disso, um estudo feito pela OMS considera que o câncer do colo do útero e outras doenças relacionadas com o HPV pode ser considerado um problema de saúde global. Por isso, a OMS recomenda que a vacina das meninas seja incluída nos programas nacionais de imunização

Desde o mês de março do ano de 2015, meninas de 9 a 11 anos de todo o país começaram a tomar a vacina contra o Papiloma Vírus Humana (HPV) em uma das 36 mil salas de vacinação do SUS. A OMS estima que se a vacinação chegar a 70 – 80% da cobertura vacinal em meninas de 12 a 13 anos, a redução do câncer do colo do útero em mulheres de 20 a 29 anos alcançará de 55 – 63% em 2025. 

As vacinas são o método mais eficaz para reduzir a mortalidade das doenças em todo o mundo, junto com a disponibilização de água potável e da depuração de águas residuais. Seguir o calendário infantil ajuda a melhorar a qualidade de vida das pessoas e, em geral, contribui para aumentar a esperança de vida. 

No entanto, ainda que existam vacinas seguras e eficazes capazes de proteger a população feminina contra os genótipos 16 e 18, causadores de 70% dos cânceres do colo do útero, as campanhas no Brasil não têm alcançado índices positivos devido a más informações ou notícias errôneas espalhadas nas redes sociais. Vale ressaltar que a vacina deve ser tomada em três doses. A segunda dose deve ser aplicada após 6 meses da primeira e a terceira dose após 5 anos após a primeira aplicação (a vacina distribuída no SUS é quadrivalente, ou seja, protege contra quatro tipos de HPV: o 6, o 11, o 16 e o 18). 

O principal grupo de vacinação contra o HPV são as meninas pré-adolescentes antes que iniciem as suas primeiras relações sexuais. Esta vacina tem um papel muito ativo na prevenção do vírus. Um vírus que, por outro lado, é muito difícil de ser detectado a tempo, pois como é um vírus de transmissão sexual, goza de um amplo período de latência entre a infecção e o aparecimento dos sintomas, que complica a detecção do câncer numa fase precoce.  

Marisol Nuevo
Redatora de Guiainfantil.com

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