As crianças e a AIDS

Vilma Medina Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Neste Dia Mundial da Luta contra a AIDS, a gente gostaria de celebrar a descoberta de uma vacina que tivesse o poder de evitar ou curar os doentes de AIDS. A gente gostaria, sobretudo, de comemorar a erradicação dessa doença em todo o mundo. No entanto, ainda que este dia ainda não tenha chegado, a gente se une a todos aqueles que lutam para evitar que milhares de crianças e famílias continuem sofrendo as consequências dessa grave doença. 

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), nos últimos anos, avançamos muito na luta contra o HIV, mas ainda fica um assunto pendente e muito importante, a AIDS em crianças. Hoje em dia, no mundo, existe mais de 3 milhões de crianças que vivem com o HIV. Em países desenvolvidos quase não existe transmissão de mães para os filhos porque foi eliminada com medidas de prevenção com tratamentos antirretrovirais através de remédios tomados pela mãe, durante toda a gravidez, cesárea e aleitamento. Infelizmente essa situação não ocorre em países menos desenvolvidos. 

Mulheres portadoras do vírus HIV têm maior risco de complicações na gravidez, como o parto prematuro, perda do bebê e restrição do crescimento fetal, ainda mais quando seu sistema imunológico estiver comprometido.  O Ministério da Saúde recomenda a suspensão total do aleitamento materno quando a mãe for soropositiva. 

Como combater a AIDS

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Acredito que todos os erros que cometemos são consequência de uma precária e insuficiente educação. A AIDS continua castigando a milhões de pessoas, adultos e crianças, principalmente em países em desenvolvimento, aonde para a maioria não chega informação nem cuidados sanitários necessários. Combater a AIDS é lutar contra uma doença, um vírus que destrói progressivamente o sistema imunológico de uma pessoa, fazendo com que o seu organismo esteja suscetível para contrair outras doenças e infecções como a meningite e pneumonias, especialmente no caso das crianças. 

Como as crianças contraem AIDS 

90% das crianças adquirem AIDS através das suas mães. Mais de três milhões de crianças menores de 15 anos vivem com o vírus no mundo. A AIDS pediátrica é considerada uma doença esquecida porque nos países pobres não existe interesse nem condições de desenvolver tratamento com retrovirais. Sem tratamento, a metade das crianças morrerá antes de completar dois anos de idade. Hoje em dia se pode detectar e tratar as crianças infectadas pelo HIV ainda que as ferramentas não sejam suficientes. São necessários exames diagnósticos mais adaptados, assim como tratamentos adaptados às crianças, além de pesquisas focadas nelas. 

O tratamento da AIDS

A AIDS mata se não for tratada. Se fizer um diagnóstico precoce da doença e tratá-la, tanto uma criança como um adulto podem levar uma vida normal. Mas, claro, tudo isso depende de remédios, de uma terapia antirretroviral adequada, e o seu preço ainda é muito alto. No Brasil e em diversos países, os antirretrovirais são distribuídos gratuitamente nos postos de saúde e hospitais, fazendo com que muitos doentes se beneficiem com esse tratamento. Mas, em muitos países, o acesso a este tratamento ainda é um grave problema. Seu preço é muito caro para uma população de baixa renda. Quanto às crianças, o tratamento também é mais problemático. Nem se encontram remédios orientados ao uso pediátrico.  

Enquanto tudo isso não encontra um caminho ou uma solução, continua crescendo os casos de crianças com AIDS, e consequentemente mortes e mais mortes. A AIDS em crianças é ainda mais complicada do que nos adultos. O vírus tende a ser mais agressivo, afetando rapidamente o sistema imunológico e provocando a morte em um curto período de tempo. O bebê contrai o vírus através da sua mãe durante o parto e aleitamento materno. Os sintomas nas crianças podem aparecer no primeiro ano de vida dos bebês, e uma alta porcentagem morre antes de cumprir os quatro anos, perdendo definitivamente a simples circunstância de estar vivo.

Vilma Medina

Diretora de GuiaInfantil.com