Castigos em função da idade da criança

Como aplicar um castigo dependendo da idade da criança

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Os castigos devem ser sempre o último recurso e não o primeiro que apliquemos diante de uma conduta desobediente, desafiante ou fora de lugar. Se o que realmente estamos pretendendo é que nossos filhos aprendam a respeitar as normas e limites estabelecidos em casa ou fora dela de um modo efetivo, que entendam o que é bom e o que é ruim, mais do que castigar os pais devem ser bons exemplos a seguir, além de tentar reforçar sempre que pode ser possível ter condutas adequadas. 

No entanto, existem ocasiões que é necessário ensinar aos filhos as consequências negativas que seus atos têm aplicando sanções ao seu comportamento inadequado. E, ainda que eu pessoalmente aposte mais pelas consequências educativas, os castigos pontuais também têm seu espaço no nosso trabalho educacional. 

Tipos de castigos em função da idade da criança

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A primeira coisa que devemos levar em conta a hora de aplicar um castigo é que este seja educativo, equilibrado, excepcional, coerente e aplicável. Se existe alguma coisa que mina a credibilidade dos pais é um castigo que não se aplica ou quando este seja excessivo ou demasiadamente severo. 

1. A partir dos dois anos: Repreensões verbais. As repreensões verbais são um tipo de castigo que pode ser utilizado muito de vez em quando como, por exemplo, em situações que signifiquem algum tipo de perigo para nossos filhos ou para os outros. Trata-se de uma forma de sancionar um comportamento inadequado utilizando um tom de voz enérgico e firme, não dando lugar para confrontações ou gritos com os nossos filhos. 

As crianças pequenas são muito sensíveis a essa técnica se for usada moderadamente e não estamos o dia todo gritando por qualquer coisa. Uma repreensão verbal por atravessar a rua sem olhar ou por tentar pegar uma frigideira que esteja no fogo é um castigo suficiente para uma criança que deve aprender que essas situações são perigosas. 

2. A partir dos três anos: Reparação. Este é um tipo de castigo muito eficaz que utiliza consequências punitivas baseadas no esforço. Ou seja, quando utilizamos esse tipo de castigo, na verdade estamos usando consequências naturais para romper os maus hábitos e para ensinar comportamentos apropriados ao mesmo tempo. Por exemplo, se o nosso filho de 3 ou 4 anos joga repetidamente a comida ao chão, lhe pediremos que recolha tudo o que tenha jogado e nos ajude a limpar a cozinha. 

Isso pode ser muito útil para acabar com aqueles comportamentos indesejáveis e repetitivos, contra os quais temos tentado um monte de coisas e nenhuma tenha funcionado. 

A reparação é consiste precisamente em restaurar o dano físico ou emocional causado. Por exemplo, uma criança que deliberadamente pinta as paredes da casa ou tenha quebrado algum objeto lançando-o ao chão, os pais devem exigir que ela limpe a parede que tenha sujado ou que reponha com ‘seu dinheiro’ o objeto que tenha quebrado. 

3. Dos dois aos dez anos: Tempo fora. O tempo fora de reforço se aplica retirando a criança do lugar onde tenha tido uma má conduta como, por exemplo, brigar com seu irmão, dar chutes a um companheiro de brincadeira, lançar areia no rosto dos outros, insultar, desobedecer... 

É uma técnica eficaz diante de condutas escandalosas, agressivas e desobedientes. Trata-se de afastar a criança da situação onde tenha cometido uma má ação dando-lhe a oportunidade de se acalmar fora do lugar onde tenha ocorrido tudo. Útil em crianças pequenas até os 10 anos. 

A duração do tempo fora variará em função da idade da criança, por isso tentaremos aplicar não mais um minuto por ano. A criança não deve estar permanentemente num tempo fora. 

4. Desde os 3 – 4 anos até a adolescência: Sanções, retirada de privilégios, estímulos. É o típico castigo: ‘vai ficar sem sobremesa’, ‘hoje sem desenhos’, ‘não vai ao parque’. Mas, também entra nessa categoria a retirada de brinquedos, videogames, tablets, celulares e computadores no caso de crianças mais velhas e adolescentes. 

Nem sempre é o castigo mais eficaz se usarmos com muita frequência e com pouca consistência. Para que um castigo seja eficaz ele deve ser aplicado de forma imediata ao comportamento que desejemos eliminar, que deve ser justo e adequado à idade dos nossos filhos. Deixar uma semana sem parque a uma criança de três anos por ter brigado com seu irmão seria injusto e pouco coerente. Ao invés disso, devemos afastá-la do lugar onde se tenha produzido a briga, deixando de brincar momentaneamente será mais efetivo. 

Sara Tarrés

Psicóloga Infantil