Como educar crianças mentirosas

Conselhos para mudar a atitude das crianças que mentem

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Crianças e mentiras podem ir de mãos dadas em determinadas etapas do seu desenvolvimento. É normal que tanto meninos como meninas falem mentiras. 

No entanto, também é certo que ninguém gosta de ver seus filhos mentindo. O que fazer então? Como devemos educar nossos filhos para que não mintam.

Por que e quando aparecem as mentiras na infância

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As primeiras mentiras podem aparecer por volta dos 3-4 anos e aparecem de um dia para o outro nessa idade mágica onde fantasia e realidade se misturam constantemente. Estas primeiras mentiras têm um papel de exploração, um modo em que a criança se dá conta que seus pensamentos pertencem a ela e a ninguém mais.

Todas as crianças passam por esta fase de enganos e mentiras porque devem adquirir um marco no seu desenvolvimento cognitivo: superar o egocentrismo, o que caracteriza esta etapa entre os 3 e 6 anos. 

Outro dia de mentira é aquela que a criança mente para evitar uma repreensão ou um castigo e podem ser do tipo ‘não fui eu’, ‘foi culpa de fulano e ciclano’...  Nesses casos tão pouco devemos ser excessivamente rigorosos nem clamar ao céu. O melhor é educar na sinceridade sem castigar severamente, já que os castigos aumentam a probabilidade de que a criança volte a mentir por medo de ser repreendido novamente. Um labirinto que não podemos escapar.

Levando em conta o caráter de exploração dessas mentiras e que fazem parte do seu desenvolvimento intelectual, os pais devem tratar delas sem excessiva importância. Em algumas situações as crianças mentem com a clara intenção de fazer mal a alguém, assim estará brincando, deformando a realidade ou tentando evitar um castigo. 

5 dicas para educar a sinceridade nas crianças

1. Ser os melhores modelos a seguir. Para que nossos filhos compreendam a importância da sinceridade, eles devem ver como os seus principais referenciais, seus pais, nunca mintam para eles ou os enganem. Isso não significa que a gente deve falar tudo a eles, já que em algumas situações teremos que nos calar ou ocultar algumas informações ou apresentá-las de uma maneira menos impactante.  

2. Evitar chamar nossos filhos de mentirosos. Quando qualificamos a uma criança como mentirosa estamos sendo injusto, é incorreto e não serve para nada e por sua vez não é educativo. Ao chamá-lo assim podemos cair no erro de que não se pode mudar. 

3. Ignorar as mentiras triviais. Muitas das mentirinhas que os nossos filhos nos dizem são simples brincadeiras e não devemos dar tanta atenção, como se nada tivesse acontecido, incentivando assim a importância da sinceridade. 

4. Dar a oportunidade de dizer a verdade. Diante de uma grande mentira, especialmente grave ou perigosa, como alguma relacionada com dinheiro ou as chaves de casa ou objetos pessoais de valor, a criança deve ter a oportunidade de que a criança possa explicar a verdade antes de começar a gritar ou dar lições de moral sem sentido. Existe um ditado que diz: ‘mentira confessada, metade perdoada’. 

5. Não humilhar em público. As mentiras devem ser tratadas em particular para evitar humilhar a criança em público. 

Sara Tarrés Corominas
Psicóloga infantil